segunda-feira, 5 de maio de 2008

LIVRE ARBÍTRIO IX

Denomina-se, comumente, de "Compatibilismo", o ensino que mostra não haver crise ou inconsistência entre o determinismo e a liberdade de escolhas do homem ou livre arbítrio. Entretanto, não se deve confundir liberdade de escolhas meramente morais e mecânicas, com a teoria do livre arbítrio, visto que, este requer absoluta independência ou indeterminismo, enquanto aquelas podem ser feitas nos limites da escravidão da vontade humana. As escolhas são feitas pelo homem dentro dos liames da sua contingencialidade escravizada pela natureza decaída ou pecaminosa ou pelos reflexos de órgãos, sistema nervoso, e reações às circunstâncias objetivas. Logo, não se trata de livre arbítrio, mas de uma espécie de pseudo-autonomia apostatada de Deus ou determinada pela contingência física. O compatibilismo geralmente define livre arbítrio como uma ação que é causada pelos próprios desejos ou vontades de um indivíduo, ao invés de ser este coagido por alguma influência externa. As possibilidades alternativas que parecem necessárias a um livre arbítrio genuíno são interpretadas pelos compatibilistas como tipicamente hipotéticas. Neste caso, fica comprometido o sentido de "livre" e de "arbítrio", pois liberdade absoluta não aceita qualquer fator determinante, e, igualmente, arbitrar é estabelecer juízos de valor e de escolhas.
"A Soberania absoluta de Deus indica que nem um pardal cai, sem a determinação divina". Os irmãos de José não foram inocentados pelos seus atos pecaminosos, ao venderem o próprio irmão aos ismaelitas. No entanto, o Deus da graça utilizou-se da maldade daqueles corações, para cumprir o Seu plano eterno. José mesmo reconhece u isto: "Foi Deus que me mandou para cá antes de vocês para que se conservasse a vida". Deus é o Senhor da História, e, esta soberania, é o que incomoda o homem portador da natureza pecaminosa e morta para a vida espiritual.
Quanto ao "livre arbítrio" pode-se afirmar à luz das Escrituras que, o homem tem vontades e desejos, mas estes estão prejudicados e escravizados pelo pecado conforme Jo. 8.32-36. Todo homem natural está sob o domínio do pecado e só Cristo pode libertá-lo. Essa escravidão implica que a vontade do homem está inclinada para o mal, mesmo quando não se pratica nenhuma ato de maldade. A imagem de Deus se manifesta no senso de justiça social, mas não no entendimento espiritual, consoante I Co. 2.14. O que se deve fazer é pregar o Evangelho e esperar o milagre, isto é, que o Espírito de Deus regenere corações de pedra em corações de carne. Pregam-se as boas novas sobre o vale de ossos secos e fica-se à espera do milagre da vida que só Deus pode dar. Mas, o homem natural, "não quer vir a Cristo para ter vida". Só passa a querer quando o Espírito o regenera." José Normando, Soberania de Deus e Liberdade Humana, arminianismo.com. Com adaptações.
Estes ensinos esdrúxulos sempre existiram ao longo da história da Igreja, porque todo homem não regenerado é, por natureza, um libertariano, isto é, luta em favor da plena liberdade de escolha humana. Pelágio foi um desses homens, sendo monge britânico de certa posição e de uma reputação muito elevada. Ele, com seu amigo Celéstio, foram à Roma, onde viveram no início século V, e se opuseram com veemência a certas opiniões aceitas a respeito do pecado original e da necessidade da graça divina.
Os pelagianos, afirmam que não houve nenhum "... prejuízo do pecado de Adão, que somos agora tão capazes de obediência à vontade de Deus como ele foi, que, de outra forma, teria sido cruel e absurdo propor à humanidade o cumprimento de certos deveres, com a aprovação de recompensas e a ameaça de punições, e que, consequentemente, os homens são nascidos sem vício assim como sem virtude.” Pelágio e seus adeptos também são acusados de ter afirmado “que é possível aos homens, contanto que eles plenamente empreguem os poderes e capacidades com que foram dotados, viver sem pecado,” e embora ele não tenha negado que a graça externa, ou seja, as doutrinas e as motivações do Evangelho, são necessários, todavia, rejeitou a necessidade da graça interna, ou o convencimento do Espírito Santo como ensina em João 15 e 16. Ele reconheceu “que o poder que possuímos de obedecer à vontade de Deus é um dom divino,” mas afirmou “que o controle deste poder depende de nós mesmos, que a morte natural não é uma consequência do pecado de Adão, mas da constituição física do homem, e que Adão teria morrido ainda que não tivesse pecado.” Isidoro, Crisóstomo e Agostinho vigorosamente se opuseram a estas opiniões, e as últimas obtiveram sua condenação em um sínodo realizado em Cartago em 412 d. C.
Vê-se a que ponto a heresia pode chegar: nega tudo o que as Escrituras afirmam sobre a natureza pecaminosa do homem, utilizando-se, supostamente, das mesmas Escrituras. É assim que age a operação do erro dentro das igrejas institucionais: torcem, contorcem e distorcem as Escrituras, para negá-las em nome da verdade e de uma melhor compreensão da verdade. Entretanto, a verdade não é uma concepção, mas uma pessoa, a saber Cristo conforme Jo. 14:6.

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