sábado, 26 de abril de 2008

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO VI

De fato a encarnação de Cristo ensejou a Jesus, o Nazareno, duas naturezas: a divina recebida do Pai conforme Lc. 1:35 - "Respondeu-lhe o anjo: virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus." Também recebeu a natureza humana de sua mãe biológica, Maria, de acordo com todos os textos que tratam do seu nascimento humano.
Não se pode confundir o fato de o Filho de Deus possuir duas naturezas, com o falso entendimento que Ele se dividiu em duas pessoas. Estas duas naturezas foram unidas na constituição plena de uma única pessoa. Desta maneira pode-se dizer que Jesus não ficou com a Sua divindade humanizada e, muito menos, com a Sua humanidade divinizada. As duas naturezas operaram simultaneamente e separadamente na pessoa única de Jesus. Não havia conflito entre estas duas naturezas, precisamente porque Jesus, mesmo em sua natureza humana, se submeteu plena e absolutamente à vontade de Deus por força da Sua natureza divina conforme Jo. 4: 34 - "Disse-lhes Jesus: a minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra." Observando-se o texto de Sl. 40:8 - "Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração." Jesus não teve "Síndrome de Sméagol" ou distúrbio psíquico de "desintegração de personalidade", pois isto é coisa de Sigmund Freud e dos psicanalistas seguidores da teoria psicanalítica. Jesus é o Deus-Homem e, após a sua ressurreição, o Homem-Deus.
A operação das duas naturezas se conformava a uma única personalidade de modo completo, harmonioso, indissolúvel e eterno. Tal mistério fora anunciado por simbologia da arca da aliança. A arca foi confeccionada sob a supervisão de Deus da seguinte maneira Ex. 25: 10, 11 e 21 - "Também farão uma arca de madeira ,de acácia; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura. E cobri-la-ás de ouro puro, por dentro e por fora a cobrirás; e farás sobre ela uma moldura de ouro ao redor;E porás o propiciatório em cima da arca; e dentro da arca porás o testemunho que eu te darei." Sabe-se que a arca é um símbolo de Cristo e que a tampa dela era o propiciatório, isto é, o local onde o sangue do cordeiro imolado era aspergido para expiação do pecado. O testemunho que fora dado para ser colocado dentro da arca foi: as tábuas da lei, o pote de maná e a vara de Arão. Estes elementos significavam, a Palavra de Deus, o Pão que desceu do céu e a árvore da vida, portanto, todos são símbolos de Cristo.
A simbologia da arca como sendo o Cristo se faz clara, pois a madeira é símbolo da humildade e da natureza humana de Cristo; revestido de glória e justiça divinas - o ouro - está no santuário do céu, onde entrou com o sangue da expiação conforme Hb. 9:5, 7, 11, 12 e 24 - "... e sobre a arca os querubins da glória, que cobriam o propiciatório; das quais coisas não falaremos agora particularmente (...) Mas na segunda só o sumo sacerdote, uma vez por ano, não sem sangue, o qual ele oferece por si mesmo e pelos erros do povo; Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados, por meio do maior e mais perfeito tabernáculo (não feito por mãos, isto é, não desta criação), e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção. Semelhantemente aspergiu com sangue também o tabernáculo e todos os vasos do serviço sagrado."
Assim como a madeira da arca não se misturou ao ouro do seu revestimento, semelhantemente a natureza divina não se confundiu com a natureza humana de Jesus. Por isso, em uma só pessoa, coexistiram duas naturezas, a humana simbolizada pela madeira e a divina simbolizada pelo ouro. Cristo é a arca perfeita na qual os pecadores eleitos foram incluídos para receberem o lavar regenerador no sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Todas estas realidades esplêndidas são reveladas aos eleitos de Deus para que estes descansem na gloriosa graça do Abba.
As duas naturezas operaram simultaneamente na vida de Jesus, por esta mesma razão, é que, Ele foi homem verdadeiro, tanto quanto Deus verdadeiro. Jesus foi tentado como todos os demais homens de acordo com Lc. 4: 1 a 13 - "Jesus, pois, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão; e era levado pelo Espírito no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo. E naqueles dias não comeu coisa alguma; e terminados eles, teve fome. Disse-lhe então o Diabo: se tu és Filho de Deus, manda a esta pedra que se torne em pão. Jesus, porém, lhe respondeu: está escrito: nem só de pão viverá o homem. Então o Diabo, levando-o a um lugar elevado, mostrou-lhe num relance todos os reinos do mundo. E disse-lhe: dar-te-ei toda a autoridade e glória destes reinos, porque me foi entregue, e a dou a quem eu quiser; se tu, me adorares, será toda tua. Respondeu-lhe Jesus: está escrito: ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. Então o levou a Jerusalém e o colocou sobre o pináculo do templo e lhe disse: se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito, que te guardem; e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra. Respondeu-lhe Jesus: dito está: não tentarás o Senhor teu Deus. Assim, tendo o Diabo acabado toda sorte de tentação, retirou-se dele até ocasião oportuna." Estas verdades mostram um homem resistindo apenas pelo poder da Palavra às investidas de Satanás.
Entretanto, Jesus venceu todas as tentações e, por isso, foi Ele servido pelos anjos mostrando de fato a sua origem divina conforme Mt. 4:11 - "Então o Diabo o deixou; e eis que vieram os anjos e o serviram." Estes fatos mostram o Filho de Deus sendo servido por seres espirituais e não por homens.
Por diversas e diferentes ocasiões Jesus abriu mão do uso de suas prerrogativas divinas em benefício próprio. Isto demonstrou que, enquanto homem, Ele dependia exclusivamente da Sua natureza divina. Ele poderia ter invocado mais de 12 legiões de anjos para livrá-Lo da prisão pela delação de Judas no jardim do Getsemani, de acordo com Mt. 26: 53 - "Ou pensas tu que eu não poderia rogar a meu Pai, e que ele não me mandaria agora mesmo mais de doze legiões de anjos?"
Havia de fato duas naturezas operando em uma só personalidade no caso de Jesus, o Cristo. Porque, se alguém retratar apenas a divindade de Jesus, a sua humanidade torna-se irreal ou banalizada. Entretanto, se se retratar apenas a sua humanidade, a sua missão não seria possível, pois certamente ele não seria qualificado como mediador, salvador, justificador e redentor. Não tem como dicotomizar a sua personalidade. Ressaltando-se apenas uma das naturezas de Cristo, a obra de Deus fica ofuscada e a sua Palavra comprometida, pois desde Gêneses até Apocalipse, o assunto é um só: Cristo, o Filho Unigênito de Deus.
A Ele pois, adoração e louvor eternamente!

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