domingo, 20 de abril de 2008

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO III


Considerando todo o teor e o propósito da verdade bíblica, Cristo ainda é uma das pessoas mais desconhecidas. Apesar dos quase dois milênios de cristianismo, Ele raramente é conhecido em espírito e em verdade. O conhecimento a que se alude aqui, não é um mero assentimento intelectivo ou cognoscível. Há profunda diferença entre o saber puramente humano intuitivo e o conhecimento sobrenatural. As escrituras declaram que o saber de caráter cognitivo é terreno, almático e diabólico conforme Tg. 3:15 - "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." No texto original, a palavra traduzida por animal, é, na verdade, almática ou da alma. Acrescenta-se que, dependendo do contexto do texto bíblico neotestamentário, a própria palavra 'sabedoria' é grafada da mesma forma que a palavra demônio.
O verbo saber em grego koiné é 'eidenai' e não tem o mesmo peso do verbo conhecer que é 'guinosko'. Enquanto saber é apenas um conhecimento genérico e difuso ou informal, conhecer é de cunho vivencial, íntimo e específico. Por exemplo, milhões de pessoas sabem quem é Pelé, todavia, poucas pessoas conhecem de fato, este desportista. Então, o máximo que se pode admitir sobre o Cristianismo histórico e os "cristãos" nominais é que eles sabem quem é Jesus, o Cristo, mas pouquíssimos, conhecem-no em espírito e em verdade.
Embora as Escrituras declarem solenemente que a vontade de Deus é que "conheçam Àquele a quem Ele enviou", poucos o podem conhecer. Isto acontece porque o homem em seu estado decaído, não possui natureza inclinada para Deus e o Seu Filho. Apenas por meio da ação monérgica de Deus é que o homem chega ao pleno conhecimento de Cristo, a saber, da verdade.
O conhecimento que importa não é um mero saber cognitivo ou informativo acerca de Cristo, mas conhecê-Lo experimental e vivencialmente. Tal experiência requer uma experiência sobrenatural e não religiosa. Isto porque, a religião é uma busca que parte do homem em direção a Deus, por ação sinérgica. Entretanto, é uma busca inglória, pois o homem portador da natureza pecaminosa não pode se aproximar de Deus com base em si mesmo. Ao contrário, na ação monergística, Deus o busca pelo convencimento realizado pelo Espírito Santo, utilizando-se da Palavra, porque a fé vem pelo ouvir, e o ouvir da Palavra de Deus. A isto dá-se o nome de revelação e vivificação conforme Ef. 2:1 - "Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados..."
Desta forma importa, não apenas saber, mas também e principalmente conhecer que Jesus, o Cristo é igualmente Deus verdadeiro, tanto quanto o Pai. Jesus é Deus desde a eternidade conforme o texto de Jo. 1: 1 a 3 - "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez." Entretanto, mesmo depois de esvaziar-se a Si mesmo da Sua prerrogativa divina, conforme Fp. 2:7 - "...mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens...", Ele continuou sendo Deus. Isto porque continuou revelando a glória do Unigênito do Pai de acordo com Jo. 1:14 - "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai." Ainda que na forma humana do homem histórico, Ele continuou revestido da plena graça e da verdade que são atributos divinos.
Em Jo. 20:36 e I Jo. 5:10 fica claro que Jesus é o Cristo e o Filho de Deus "...estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome... Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o faz, porque não crê no testemunho que Deus de seu Filho dá." As Escrituras, não apenas afirmam que Jesus é o Cristo, Filho de Deus, e igualmente Deus, mas que também Ele é o único, suficiente e eficiente salvador.
Em Hb. 1:8, o próprio Deus chama Jesus de Deus - "Mas do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos, e cetro de equidade é o cetro do teu reino." Em diversas outras instâncias, Jesus é chamado de "meu Filho amado." Jesus declara por Si mesmo que Ele e o Pai são um só em Jo. 10:30, isto é, partilham da mesma natureza santa, justa e perfeita. O anjo enviado por Deus chamou Jesus de Filho de Deus em Lc. 1:35. O próprio Jesus se definiu como Deus em Mc. 14:61 e 62 - "Ele, porém, permaneceu calado, e nada respondeu. Tornou o sumo sacerdote a interrogá-lo, perguntando-lhe: és tu o Cristo, o Filho do Deus bendito? Respondeu Jesus: eu o sou; e vereis o Filho do homem assentado à direita do Poder e vindo com as nuvens do céu."
Jesus se declarou como sendo o Filho Unigênito que está no seio do Pai em Jo. 1:18. Também disse: "quem me vê a mim, vê o Pai." em Jo. 14:9. Para a mulher de Samaria, Jesus se declarou como o Messias conforme Jo. 4:25 e 26. Em Ap. 22:13, Jesus se declara como o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro, o Princípio e o Fim. A expressão utilizado por Jesus em Jo. 8: 24, 28 e 58 é a mesma utilizada em Ex. 3:14, isto é, "Eu Sou."
Além do próprio testemunho de Jesus, todos os apóstolos afirmam em suas experiências, que Ele é Deus. João, o batista delcarou que Jesus era o Filho de Deus em Jo. 1:34. Pedro testifica: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." em Mt. 16:16.
Em At. 3:14, Jesus foi chamado "nosso Deus e Salvador Jesus Cristo." Pedro disse que Jesus é o Senhor de todos em II Pd. 1:1. Paulo, em Rm. 8:32 afirma que Jesus "é o próprio Filho de Deus". Até o cético Tomé se referiu a Jesus como "Senhor meu, e Deus meu." conforme Jo. 20:28. Também os próprios demônios afirmaram a divindade de Jesus de acordo com Mc. 1:24.
Acrescenta-se que Jesus tem atributos divinos, tais como: Onipontência conforme Lc. 4:35, 36 e 41. Demonstrou-o pelo poder sobre demônios, sobre as doenças, sobre o vento e as águas, sobre a morte, quando ressuscitou mortos. Jesus é Onipresente conforme Mt. 28:20, II Co. 13:4 e Ef. 1:23. Também Jesus é Onisciente de acordo com Jo. 2:24, 4:16 a 19, 6:64.
Jesus é imutável conforme Hb. 1:12 e 13:8. É também eterno conforme Cl. 1:17, Jo. 1:1, Mq. 5:2, Is. 9:6 entre outros.
Jesus deve ser adorado de acordo com Mt. 28:9 e 17, 14:33, 15:25 e Lc. 24:52, além de Hb. 1:6.
Jesus é Santo conforme At. 2:27, 3:14 e 4:27, entre tantos outros textos. Ele também é amor de acordo com Ef. 3:19, Jo. 14:31, 15:13, Ef. 5:2, Rm. 5: 6 e 8, além de Jo. 13:1. Também o Senhor Jesus perdoou pecados conforme Mt. 9:5, Lc. 5:20, 7:47 a 50 e At. 10:38.
Finalmente Jesus é a verdade de acordo com Jo. 1: 14 e 17, 8:32, 14:6, 15:1 e 18:37. Então, por todas estas realidades bíblicas e espirituais, Jesus é verdadeiro Deus. A Ele, pois todo louvor, e honra, e glória de eternidade em eternidade.

Nenhum comentário: