quarta-feira, 30 de abril de 2008

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO XIII

Enganam-se os que se dizem cristãos, porém pensan que Jesus foi para cruz sozinho. Ele foi crucificado, não por causa de qualquer pecado próprio, pois n'Ele não houve engano e, muito menos pecado conforme I Pd. 2: 21 e 22 - "Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas. Ele não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano." Assim, Cristo assumiu a cruz como parte de um acerto eterno entre o Pai e Ele, antes da fundação do mundo e dos tempos eternos. Ao ir para a cruz, Cristo atraiu o pecador a Si, isto é, em Sua morte conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Veja, não há dúvidas que Ele se refere ao seu levantamento na cruz, uma vez que a referência é à maneira, a qual iria morrer. Também, esta mesma verdade acha-se no texto de I Pd. 2: 24 - "... levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados." Se ele atraiu os eleitos, levou os seus pecados para o seu corpo sobre o madeiro, isto é, a cruz, logo estes também morreram n'Ele, pois do contrário, como os eleitos estariam mortos para o pecado? É óbvio que tudo isto se apropria pela fé, pois foi realizado há aproximadamente dois mil anos atrás. Assim, Jesus, enquanto homem histórico substituiu o pecador fisicamente, e Cristo, enquanto o Filho Eterno de Deus, o substituiu espiritualmente. Aquilo que é subjetivo aos eleitos, foi objetivado em Cristo na cruz.
Um dos erros mais grosseiros da dita "cristandade" é ler as Escrituras apenas como um manual de religião, por mera tradição ou hábito, pelas lentes de terceiros ou para apaziguar suas carências. Leem-nas sem levar em conta as preposições, verbos, advérbios, artigos, pronomes, etc. Também, deixam de considerar que há erros tendenciosos nas traduções, porque os tradutores seguem invariavelmente as linhas doutrinárias a que estão atrelados em seus sistemas teológicos. Há um trocadilho italiano que diz: "traduttore, traditore." Isto indica que traduzir pode levar a uma traição do texto em sua pureza original. Acontece que, quase todos os tradutores traduzem as Escrituras com base no seu sistema de crença, justamente porque não concorda com a doutrina dos outros sistemas de crenças. Ao forçar a tradução para o seu sistema de crenças acaba por mutilar o texto em sua pureza evangélica.
No texto de Jr. 18:4 diz: "Como o vaso, que ele fazia de barro, se estragou na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme pareceu bem aos seus olhos fazer." Ora, o oleiro é o tipo de Deus e o vaso é o símbolo do homem que caiu por incredulidade, estragou-se ainda quando se achava plenamente nas mãos do oleiro. O oleiro é absolutamente soberano sobre o barro estragado, para dele, fazer um novo vaso. Assim, Deus em Cristo resolveu fazer uma nova geração conforme II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." A expressão "nova criatura" no texto original grego é, "nova geração". Ora, nova geração a partir do velho homem estragado pelo pecado, como o barro que se estragou na mão do oleiro, é exatamente a mensagem central da cruz. É o nascimento do alto conforme o texto de Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." A expressão "nascer de novo" no texto grego koinê é "nascer do alto". Equivale dizer que o ato regenerador do homem pecador é da exclusiva competência soberana de Deus e não de qualquer ato de justiça própria ou de méritos humanos.
Assim, Cristo afirma: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me." Esta afirmação não é uma sugestão, não é hipotética, não é uma opção livre. Embora ocorra a expressão "se alguém quer...", não implica em "livre arbítrio", pois o homem escravizado pelo pecado não é livre e muito menos pode arbitrar sobre questões espirituais. Ele faz escolhas morais, e ainda assim, estas estão presas aos trilhos do pecado. Não podem escapar dos limites da bitola da natureza humana contaminada pelo pecado. Quando alguém quer ir a Cristo é porque, obrigatoriamente, Deus o conduziu pelo convencimento realizado pelo Espírito Santo conforme Jo. 16: 8 e 9 - "E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim..."
Ora, a vontade do homem decaído é escrava do pecado consoante as palavras do próprio Jesus em Jo. 8:34 - "Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado." Sabendo que todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus, logo, todos são escravos e não livres como pretendem os religiosos arminianos que se enganam e são enganados, por vezes, a vida toda. O pendor da natureza escravizada é para o seu senhor, a saber, o pecado. Isto produz no pecador uma absoluta incompetência para buscar a Deus sob quaisquer circunstâncias. O fato de alguém ter religião, realizar obras sociais, não matar, não roubar, não prostituir, etc, não implica em pureza espiritual. Apenas indica que essa pessoa desenvolveu habilidade de praticar atos aceitos pela sociedade e que são bons sim. Porém, tais atos são concebidos, desenvolvidos e praticados dentro dos trilhos de uma natureza que não foi regenerada espiritualmente. Este homem continua como o barro estragado na mão do oleiro. Não se pode confundir reforma comportamental e ética com nascimento do alto ou nova geração que faz do pecador um novo homem gerado em Cristo.
O homem, não pode desenvolver vontade própria para voltar-se para Deus conforme Rm. 3: 10 a 12 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." Deus, é quem vivifica o homem decaído por meio da pregação do verdadeiro evangelho e por obra do Espírito Santo. Jesus deixa isto claro em Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia."
Enquanto o religioso que é um enganado e também um enganador não recebe graça para crer que o ensino das Escrituras não se curva aos seus desejos religiosos e projetos teológicos, ele não experimenta o nascimento do alto ou de Deus. Poderá ser um bom cidadão, um excelente pai de família, um bom e caridoso religioso, um grande humanista, todavia, isto não salva, pois ele permanecerá com a sua natureza adâmica enraizada. Só a cruz pode extirpar a velha natureza, o velho homem, a raça adâmica dele. Esta é uma ação monérgica de Deus, por meio da graça mediante a fé, que Ele mesmo produz no pecador. Não se pode confundir mudanças morais, com regeneração, pois até ateus mudam drasticamente o rumo moral e ético de suas vidas em determinados momentos. Isto não lhes acrescenta salvação, pois as suas naturezas pecaminosas não passaram pela cruz.
A cruz é o único lugar onde a velha natureza da serpente é literalmente destruída e aniquilada do coração do homem conforme Hb. 9:26b - "... mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Verifica-se que foi o pecado que foi aniquilado na cruz e não o "eu" do pecador. Há uns religiosos inimigos da cruz de Cristo que preferem destilar maledicência contra o ensino da cruz, afirmando que os que assim creem, defendem a aniquilação do eu. Não se sabe se por incredulidade, por maldade, ou pelos dois. Todavia, as Escrituras são muito claras ao afirmar que a cruz é do homem e que Cristo a assumiu para nos tornar habilitados a comparecer perante o Pai, lavados no sangue regenerador do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e que foi imolado antes da fundação do mundo e nos tempos eternos.
A Ele, pois, toda glória de eternidade em eternidade!

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO XII

Importa alongar-se um pouco mais no tema da morte de Cristo, pela profundidade oferecida a quem quer conhecer mais da vontade de Deus. Para Tanto, é necessário, no mínimo, ser honestamente coerente com os fatos históricos e com os registros bíblicos. A morte de Jesus, o Cristo é uma exigência da natureza da justiça de Deus, porque os seus "Decretos Eternos" são irrevogáveis. Assim, quando Deus determinou a Adão que não comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, para que não morresse, isto lhe foi outorgado por decreto. Adão, o primeiro homem, preferiu ouvir outra pregação mais atraente e que o colocaria falsamente como autônomo e senhor do seu próprio destino. A partir do pecado da incredulidade do cabeça de raça, ao quebrar o decreto divino, cometeu em seguida, o ato pecaminoso de comer do dito fruto e, assim, morreu para Deus espiritualmente. Como consequência da perda da vida espiritual, também perdeu a vida biológica lenta e gradativamente por perecimento. Sentiu à sua própria degenerescência, como a dos seus filhos e dos filhos dos seus filhos após a expulsão do Éden. Como o representante da "raça" humana decaiu e, por contingência, todos os seus descendentes herdaram o "gene" do pecado e, por isso, cometem atos pecaminosos conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." A morte a que alude o texto, não é uma referência apenas à morte biológica ou física, mas à morte espiritual também. Isto é retratado em I Co. 15:21 - "Porque, assim como por um homem veio a morte..."
A morte de Jesus foi aceita por Deus como a morte de um substituto legal representante da raça adâmica. Por isto, quando se discute quem matou Jesus, não há dúvidas quanto a resposta! Obviamente, foi Deus! Entretanto, se alguém indaga, para quem Deus matou Jesus, a resposta é: para redenção dos eleitos. E alguém ainda, querendo ir um pouco além e perguntar, porque Deus matou Jesus, a resposta é ainda mais enfática: porque ele assim, o quis! É soberano! O problema da cristandade nominal, religiosa e incrédula, é que, mal consegue se entender entre seus muitos, dogmas, preceitos, regras, ritos, ainda querem justificar o próprio Deus, como se algum pecador pudesse advogar em favor d'Ele. Deus não precisa da justificação do homem, mas o homem decaído necessita, desesperadamente, da justificação que provém de Deus, em Cristo.
Jesus é chamado em I Co. 15: 47 de "o segundo homem", porque o primeiro homem foi Adão e este decaiu da graça, semelhantemente ao vaso que o oleiro fazia, o qual se estragou nas mãos daquele. Todavia, o oleiro resolveu fazer outro vaso do mesmo barro. Assim, aprouve a Deus fazer outro homem, um novo homem, um homem regenerado em Cristo por inclusão na morte d'Este, a fim de destruir a morte que separa o pecador de Deus. Em I Co. 15:45, Jesus é chamado de "o último Adão", exatamente porque, em Cristo, a raça adâmica ou a natureza pecaminosa é destruída. Em Cristo, na cruz, o que havia da raça adâmica no homem que foi preordenado para a vida eterna acaba ali. Desta forma, quando Cristo foi para a cruz os eleitos estão n'Ele incluídos para perderam suas naturezas pecaminosas, mas quando Ele ressurgiu dentre os mortos, ele trouxe consigo os regenerados, comunicando-lhes a sua vida. Por esta razão é que o batismo em águas é apenas um memorial testemunhal desta verdade: quando o regenerado é imerso em águas, isto simboliza a sua morte em Cristo, quando é retirado das águas isto indica a sua ressurreição juntamente com Ele. Entretanto, este batismo em águas não possui valor algum, se antes não ocorrer o batismo na morte de Cristo conforme Rm. 6: 3 a 8 - "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos..." A questão crucial aqui é que tudo isto se apropria por misericórdia e graça que produz no pecador a fé para "Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.' Há religiosos que, quando ouvem este ensino, se põem logo a combatê-lo por não conseguir alcançar a maravilhosa graça que há nele. Todavia, os joelhos que não se dobram a Baal, e a divina semente prosseguem na fé inabalável recebida do alto conforme Rm. 12:3b - "...mas que pense de si sobriamente, conforme a medida da fé que Deus, repartiu a cada um."
Por um lado "... a ofensa por um só que pecou... determinou a ação monérgica de Deus em que "...por um só veio o juízo sobre todos." Semelhantemente "pela desobediência de um só, todos foram feitos pecadores...", mas igualmente por um só, Jesus Cristo, veio o dom gratuito conforme o contexto de Rm. 5. Então, um só ato de incredulidade que levou a queda e à desobediência de um homem, Adão, por semelhante modo, um só ato de justiça executado em Cristo, produziu a abundante graça, justificando o pecador. A obediência de um só, Cristo, justificou a desobediência de muitos, tornando-os justificados perante os olhos de Deus.
Aos olhos de Deus, somente Cristo preenche os requisitos de substituto perfeito para justificar o pecado, satisfazendo assim, todas as exigências legais do "Eterno Decreto". Jesus se tornou o único fiador aceito pela justiça divina conforme Hb. 7:22 - "...de tanto melhor pacto Jesus foi feito fiador." Também em Jó 16:19 - "Eis que agora mesmo a minha testemunha está no céu, e o meu fiador nas alturas." Da mesma forma em que o Cordeiro Pascal foi imolado e o seu sangue espargido em favor dos primogênitos no Egito, Cristo foi imolado e o seu sangue espargido em favor dos eleitos, que são as primícias de Deus. Porque o sangue nos umbrais das portas protegia apenas os primogênitos? Exatamente como símbolo da expiação de Cristo apenas pelos eleitos de Deus. Esta nefasta doutrina da expiação universal de Cristo, veio apenas para satisfazer os anseios do homem em sua vaidade e auto-piedade. Como nosso substituto legal, Jesus tomou sobre si a nossa natureza pecaminosa, mas também, os eleitos foram n'Ele incluídos para destruição desta mesma natureza a fim de que, na ressurreição, os eleitos ganhassem a vida de Cristo. Geralmente, na religião humanizada, se fala em novo nascimento, mas não se fala em morte; fala-se em Cristo como substituto, mas não fala em inclusão do pecador na Sua morte. Logo, como se pode crer em ressurreição, sem morte? Seria tudo apenas um "colóquio flácido para acalentar bovino?"
A Cristo, o "Cordeiro Pascal", que morreu para matar a morte dos pecadores que foram eleitos e com eles ressurgir para a vida eterna, glória, força, honra e poder eternamente!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO XI

Ao longo da história pós-Cristo, muitas são as opiniões acerca, não apenas da messianidade, nascimento, vida e obra d'Ele, mas, sobretudo da sua morte. Causa espécie o fato que, entre os ditos cristãos nominais haja divergência, quando deveria haver invariavelmente convergência, visto que tal percepção não pode fugir ao texto escriturístico. Isto é, por assim dizer, o óbvio ululante! Todavia, por serem considerados cristãos quaisquer religiosos ou simpatizantes desta religião enquanto apenas um sistema histórico, as divergências aparecem, manifestam-se e se multiplicam freneticamente. Não há, necessariamente, a obrigatoriedade de os cristãos serem iguais em seus ritos, dogmas, preceitos e regras. Porém, obrigatoriamente deveriam ser convergentes e concordantes em matéria de doutrina e fé. O texto de Ef. 4: 4 a 7 da subsídio suficiente para requerer, não apenas a unidade, mas também a unicidade da fé, porque assim se expressa: "Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos. Mas a cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do dom de Cristo."
Alguns afirmam que Jesus foi apenas mais um mártir que morreu tão somente por defender idéias contrárias ao senso comum da religião e da política da época. Teria ele pago o preço por ser ousado em demasia contra os trâmites do legalismo judaico, como também contra a burocracia e interesses de Roma. Entretanto, as Escrituras dão testemunho de que ele morreu doando a sua própria vida ao homem morto em seus delitos e pecados conforme Ef. 2:1 - "Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados..." Também estas mesmas Escrituras mostram que ele morreu para dar a Sua vida em resgate de muitos e não de todos consoante Mt. 20:28 - "...assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos." É consenso que mártires, via de regra, demonstram grande euforia e alegria ao oferecer-se ao sacrifício. Cristo, ao contrário, sentiu medo e pavor diante da realidade da sua morte, ao ponto de suar sangue e de pedir ao Pai que o livrasse daquele cálice. Sentiu-se abandonado por Deus, pelo pavor do da sujidade do pecado em seu ser puro e santo, como também pelo requinte de crueldade de sua morte.
Outros, porém dizem que a morte de Jesus foi um acidente de percurso, porque os seus inimigos eram mais numerosos e mais forte do que ele e seu minúsculo e pobre grupo. Todavia, há argumentos contrários a esta tese absurda, pois quando da sua prisão no Getsêmani, a soldadesca caiu por terra. Ele até poderia ter se retirado do lugar sem que alguém o pudesse deter conforme Jo. 18: 5 e 6 - "Responderam-lhe: a Jesus, o nazareno. Disse-lhes Jesus: sou eu. E Judas, que o traía, também estava com eles. Quando Jesus lhes disse: sou eu, recuaram, e caíram por terra." Também Ele poderia ter pedido ao Pai para livrá-Lo da prisão e da morte cruel se assim o desejasse de acordo com Mt. 26:55 - "Ou pensas tu que eu não poderia rogar a meu Pai, e que ele não me mandaria agora mesmo mais de doze legiões de anjos?" Na verdade, Jesus não era mártir, nem suicida, mas, tão somente entregou a Sua vida voluntariamente para salvar muitos conforme Jo. 10:17 e 18 - "Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai."
Ainda há os que afirmam que Jesus morreu para comunicar elevado grau de sujeição, humildade e resignação diante do sofrimento. Obviamente que todos estes elementos constam do processo de sacrifício vicário de Cristo, mas não são a causa deste, e muito menos a única conseqüência. Ele morreu para sarar as nossas feridas da alma manchada pelo pecado e pelos atos pecaminosos consoante Is. 53:5 - "Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." Então, por todos os títulos e circunstâncias, Cristo morreu para o benefício de pessoas absolutamente indignas. Logo, o beneficiário é inferior em todos os sentidos em relação ao beneficiador, visto que só um redentor qualificado em justiça perfeita poderia satisfazer a exigência plena da lei que diz: "... a alma que pecar, esta morrerá." Do contrário, dar-se-ia que Cristo teria morrido em benefício próprio, ou para apresentar uma malgrada peça teatral de péssimo gosto.
Todas estas opiniões são infundadas e desqualificadas diante da grandiosidade do supremo propósito de Deus, desde a eternidade pretérita até a eternidade eterna.
A Ele, pois toda glória para sempre, e sempre, e sempre!

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO X

Há incontestavelmente um forte testemunho, o qual é uniforme, harmonioso e concordante nas Escrituras acerca da morte de Jesus. Esta verdade, ainda que surpreendente é que permite desfazer sofismas, combater ensinos errôneos e fechar a boca dos incrédulos sobre a real verdade de Deus. É estranho, todavia, que a "cristandade" nominal e religiosa crê em muitos mitos, estórias, dogmas e falos ensinos acerca de Cristo. Isto é tão real e tão arraigado que, quando Deus levanta a Sua semente que o serve de geração em geração para pregar tal verdade, esta se lhes parece como se mentira fosse. Esta obra tem nome e autor: chama-se engano e o seu mestre é o Diabo, pois é papel dele enganar, mentir, roubar e matar desde o dia em que nele foi achada a iniquidade. A religião funciona como uma espécie de inoculação lenta e gradativa do veneno da antiga serpente a fim de imunizar os incrédulos religiosos na suposição de que possuem a verdade. Percebe-se neste tocante, que, quase todas as religiões e seitas se apropriam de uma verdade exclusiva e, por vezes, absoluta. Ora, sabe-se que a verdade não é um conceito e, muito menos, um estado de espírito cujo centro é a mente do homem. Ao contrário, é antes, uma pessoa, a saber o próprio Cristo conforme Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Ele não tem porções de caminho, verdade e vida para dar ao pecador, antes, Ele mesmo é o caminho, a verdade e a vida. Ele não apenas faz a doação, mas se doa a si mesmo para comunicar vida e criar no regenerado a sua semelhança interrompida no Éden. Visto que a proposta inicial de Deus era fazer o homem conforme a Sua imagem e a Sua semelhança. Entretanto, quando de fato, Deus fez o homem, o fez apenas à Sua imagem. A semelhança seria formada gradualmente pelo acesso à árvore da vida. Esta árvore reaparecerá na restauração final conforme Ap. 2:7 - "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus." Também em Ap. 22:2 - "No meio da sua praça, e de ambos os lados do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a cura das nações."
A verdade é, portanto, Cristo mesmo e não concepções teológicas, por mais bem intencionadas que pareçam ser. O papel do inimigo é arraigar nas mentes e corações contaminados pelo pecado, que o homem é portador de suas própria verdade, decide sobre sua própria salvação, ou pode fazer escolhas espirituais e eternas. Não o pode! O religioso confunde escolhas mecânicas ou naturais com "livre arbítrio". As escolhas feitas pelo homem morto para Deus, e não se fala aqui dos que não têm religião, ou que não pertencem a esta ou aquela igreja, mas dos que não nasceram de Deus conforme Jo. 1: 12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." Veja o que o texto diz: "a todos quantos." Isto implica em que não são todos os homens, mas apenas os todos quantos o recebem. Também é fundamental observar que é "receber" e não "aceitar" a Jesus. Nenhum homem pode aceitar ao Senhor Jesus em seu estado pecaminoso original. Quem conduz os que foram eleitos de antemão é o próprio Deus conforme Jo. 6: 44 e 65 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia (...) E continuou: por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido." Esta impossibilidade é causada pela natureza pecaminosa, portanto, Deus por meio do Espírito Santo convence o homem do pecado, da justiça e do juízo, por meio da pregação do evangelho consoante Jo. 16: 7 a 11 - "Todavia, digo-vos a verdade, convém-vos que eu vá; pois se eu não for, o Ajudador não virá a vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei. E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais, e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado."
A obra de Deus é fazer que creiam n'Aquele a quem Ele enviou, a saber Jesus, o Cristo de Deus conforme Jo. 6:29 - "Jesus lhes respondeu: a obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou." E a vontade de Deus é uma só de acordo com Jo. 7: 17 - "Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, há de saber se a doutrina é dele, ou se eu falo por mim mesmo." Embora a "cristandade" nominal insista em declarar sobre a vontade e a obra de Deus, para quase tudo, todavia, as Escrituras ensinam apenas o que aí está posto. Todos os contextos, os quais fazem referência à vontade de Deus estão atrelados a esta palavra de Jesus retromencionada. Há muitos líderes religiosos que afirmam estarem fazendo a obra de Deus, porém se esqueceram de consultá-lo sobre o assunto. Há muitos que afirmam ser isto ou aquilo a vontade de Deus, quando expressam e buscam satisfazer apenas as vontades dos seus próprios corações e mentes. Confundem reações almáticas com os decretos eternos de Deus. Assim, vão de mal em mal, se perdendo e multiplicando os perdidos pela religião do esforço e do medo nascida entre os arbustos do Éden. Esta nefasta religião do fazer e do depender do próprio homem se espalhou e se multiplicou a partir de Caim, chegando até os nossos dias, como se vê nestes tempos de muita angustia e dor. De muitos erros em nome de Jesus, o Cristo.
A Cristo, toda honra e toda glória hoje, como no dia da eternidade.

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO IX

Dentre todos os milagres e obras realizados por Cristo, nenhum se iguala à sua morte, ressurreição e assunção aos céus. Paradoxalmente, nenhuma obra, ofício ou função do "Cristo de Deus" teria sentido se não culminasse em sua morte, ressurreição e assunção. Isto porque, sem estas realidades a conversão processual não ocorreria e o supremo propósito de Deus seria falho, o ato da regeneração não se concretizaria, o ato da santificação não teria lugar e o ato da glorificação jamais encontraria espaço no tempo. A morte do homem para Deus, em decorrência do pecado, recebeu tratamento homólogo pela morte de Cristo na cruz, a fim de sua morte ser substitutiva e inclusiva, vicária, portanto. Isto objetiva matar a morte do homem, na morte de Cristo e igualmente devolver a vida eterna aos eleitos pela vida eterna de Cristo na ressurreição.
A morte de Jesus tem sido objeto das mais diferentes e diversificadas asseverações ao longo da história. Certamente ela ecoará por toda a eternidade, porque os atos e decretos de Deus são eternos, tanto quanto Ele mesmo o é. Neste sentido, a morte de Cristo estava anunciada desde a eternidade pretérita conforme II Tm. 1: 9 e 10 - "...que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos, e que agora se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual destruiu a morte, e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho..." Ainda há subsídios em Tt. 1: 1 a 3 - "...segundo a fé dos eleitos de Deus, e o pleno conhecimento da verdade que é segundo a piedade, na esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos eternos, e no tempo próprio manifestou a sua palavra..." Nesta mesma linha hermenêutica encontra-se o texto de Ef. 1: 4 e 5 - "...como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo..." Também em I Pd. 1: 19 e 20 - "...mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós..." Em Ap. 13:8 - "E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo."
Assim, quando nem sequer o próprio mundo e tudo que nele há havia sido criado, Deus já havia pré-determinado a morte vicária do Seu Filho Unigênito para destruir o pecado, aniquilando a natureza pecaminosa nos eleitos. Não é uma questão de livre escolha do homem, mas de pré-ordenação dos "Decretos Eternos do Pai." Os religiosos e enganados por seus sistemas humanistas, preferem crer que há bondade e retidão suficientes no homem portador do pecado, que o capacita a fazer escolhas espirituais. Todavia, eles confundem escolhas morais, com escolhas espirituais. Acerca destas, o homem não possui a menor condição e competência para tal consoante Rm. 3: 10 a 12 - "...como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só."
A morte de Cristo foi, é e será eternamente o tema central das Escrituras conforme I Co. 15: 3 e 4 - "Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras." Não se trata de opinião ou filosofia sofismática, mas de registro e testemunho incontestáveis. A maior parte das profecias bíblicas abordam e contemplam com profunda clareza "...dos sofrimentos que a Cristo haviam de vir e a glória que se lhes havia de seguir..." segundo I Pd. 1:11.
Desde o sacrifício de animais para retirar a pele a fim de cobrir a nudez do homem no Éden até João, o batista anunciar o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, não se fala em outra realidade, a não ser a morte vicária de Cristo nas Escrituras. De sorte que tudo o que foi escrito, converge para a obra justificadora e redentora d'Ele em benefício de muitos. Em Gn. 3:15 fala-se da "semente da mulher" e "do descendente da mulher" como sendo o Cristo, o qual esmagaria a cabeça da serpente, que é Satanás. Isto se cumpriu em todos os detalhes e aspectos no nascimento, vida, obra, morte, ressurreição e assunção de Cristo.
O próprio Jesus estava plenamente consciente da Sua presença nas Escrituras a ponto de dizer em Lc. 24:45, o seguinte "E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras." Igualmente conscientizou Seus discípulos conforme Lc. 24:45 a 48 - "Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e disse-lhes: assim está escrito que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressurgisse dentre os mortos; e que em seu nome se pregasse o arrependimento para remissão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas."
Por meio das profecias se pode conhecer muito acerca da morte de Jesus, o Cristo, como por exemplo, que Ele entraria em Jerusalém montado sobre um jumentinho conforme Zc. 9:9 e Mt. 21: 1 a 6 confirmou isto. Que Ele seria traído por um dos Seus discípulos conforme Sl. 41:10, Is. 55:13 e 14, o que foi confirmado em Mc. 14:10 e 11. Em Zc. 11:12 dá até os detalhes do valor da venda de Jesus por Judas, tendo sido confirmado em Mt. 26:15. Em Zc. 11:12 fala de como o dinheiro da traição seria utilizado depois da devolução do mesmo pelo traidor. As profecias mostram como Jesus seria abandonado pelos Seus seguidores conforme Zc. 13:7, sendo confirmado em Mt. 26: 31 e 56. Ainda as Escrituras mostram aspectos do julgamento de Jesus conforme Sl. 69: 4 e 12, tendo sido confirmado em Lc. 23:5. Tanto judeus, quanto gentios se levantaram contra ele de acordo com Sl. 2: 1 e 2, sendo confirmado em Lc. 23:12, At. 4:27. As Escrituras mostram que Jesus não reagiria e se poria em silêncio diante das investidas conforme Is. 53:6 e 7, confirmado em Mt. 26:63 e Mt. 27:12 a 14. Cuspiram na face do Salvador consoante Is. 50:6, Sl. 22:8, o que foi confirmado em Mt. 26:67. Diz que Ele seria ferido no rosto conforme Mq. 5:1, confirmado em Mt. 27:30. Diz que Ele ficaria com a aparência transfigurada conforme Is. 52:14, 53:3, tendo sido confirmado em Jo. 19:5. Também afirmam as Escrituras que Jesus seria crucificado junto com malfeitores de acordo com Sl. 22:16, Zc. 12:10, Is. 53:12 e Mt. 27:38, tendo tudo sido confirmado em Jo. 19:18, 20 a 25. Que Jesus oraria pelos seus crucificadores conforme Is. 53:12, sendo confirmado pela pena de Lc. 23:34. Que blasfemariam d'Ele conforme Sl. 22: 8 e 9, confirmado em Mt. 27:39 a 44. Serviriam vinagre na cruz de acordo com Sl. 69:12, confirmado em Mt. 27:34. Que suas vestes seriam repartidas e sobre sua túnica lançariam jogos de sorte conforme Sl. 22:18, confirmado em Mt. 27:35, Lc. 23:34. Que Jesus sentiria abandonado por Deus no momento da sua morte consoante Sl. 22:1, confirmado em Mt. 27:46. Que ao morrer entregaria o Seu Espírito a Deus conforme Sl. 31:6, tendo sido confirmado por Lc. 23:46. Que depois de morto seu lado seria traspassado por uma lança conforme Zc. 12:10, confirmado por Jo. 19:46 e quem os seus ossos seriam preservados de serem quebrados consoante o Sl. 3:19 e 20, confirmado por Jo. 19:33 a 36. Finalmente que Jesus seria sepultado entre os ricos conforme Is. 53:9, confirmado em Mt. 27:57 a 60.
Ora, o mundo precisa conhecer muito ainda sobre o Jesus das Escrituras e não apenas conhecer as Escrituras do Jesus. A letra mata, mas o Espírito vivifica! Amém.

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO VIII

Jesus, cognominado "Cristo de Deus" realizou inumeráveis milagres, maravilhas e obras que não se podem contar consoante os registros bíblicos, como por exemplo, At. 10:38 - "... concernente a Jesus de Nazaré, como Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder; o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do Diabo, porque Deus era com ele." Também em Hb. 2:4 - "... testificando Deus juntamente com eles, por sinais e prodígios, e por múltiplos milagres e dons do Espírito Santo, distribuídos segundo a sua vontade." Sobre Ele é afirmado que fez tantos milagres que se fossem escritos em livros, não caberiam no mundo conforme Jo. 21:25 - "...nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem..."
Jesus andou por sobre as águas, acalmou a tempestade, deu ordens ao vento, curou enfermos, ressuscitou mortos, devolveu a visão aos cegos, endireitou os ossos dos coxos e aleijados, abriu os ouvidos aos surdos, estancou o fluxo de sangue da mulher, libertou endemoninhados, esclareceu aos esclarecidos, multiplicou pães e peixes, secou a figueira, desafiou os religiosos, fez calar os contenciosos, mandou recados desaforados aos poderosos, perdoou os desgraçados e desprezados, amou os fracos, se divertiu com bandidos, festejou e fez vinho bom para a festa. Após dois mil anos, estas realidades parecem esmaecidas e sobremaneira esquecidas, porque o homem em seu estado de depravação total é imediatista, consumista e crê tão somente, no que lhe convém. Isto acontece porque o pecado obscurece a compreensão, visto que o "deus" deste tempo cega-lhe o entendimento consoante o registro de II Co. 4:4 - "...nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus." A incredulidade é exatamente o pecado que separou o homem de Deus no dia em que aquele caiu perante o Criador conforme Jo. 16:9 - "...do pecado, porque não creem em mim." É precisamente este pecado que Cristo veio destruir, e destruiu, pois do contrário, teríamos de reconhecer que o Diabo é mais eficiente em mantê-lo no homem. Entretanto, quando se ensina esta sã doutrina, causa na mente do incrédulo religioso, uma série de más compreensões. Ele imagina que este ensino é uma espécie de impecabilidade e que isto é heresia. Não o é, visto que há profunda diferença entre o pecado e os atos pecaminosos. Tanto isto é verdade que existem diversas e diferentes palavras para o vocábulo "pecado". De sorte que o homem é pecador, porque possui o pecado, ou seja, a natureza pecaminosa por herança de acordo com Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Adão, pois pecou por ter sido incrédulo à palavra de Deus a qual decretara "...não comerás", porque "certamente morrerás." Entretanto, ele deu ouvidos a outra pregação: "é certo que não morrereis." Assim, Adão pecou não apenas porque tomou e comeu do fruto proibido, mas porque não creu no que Deus houvera dito.
Entretanto, da mesma forma que o pecado entrou no mundo por um homem, também é retirado dos eleitos pela ação justificadora e redentora de um só Homem-Deus, a saber Jesus, o "Cristo de Deus" conforme I Co. 15: 21 e 22 - "Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Pois como em Adão todos morrem, do mesmo modo em Cristo todos serão vivificados." Então, pergunta-se, onde está o erro? Onde a impecabilidade? Os que não conseguem ver, porquanto têm escamas nos olhos, preferem desqualificar a pregação dos que recebem graça para crer. Assim, eles permanecem em seus sistemas da mentira e do engano. Sustentam suas teologias de alcovas a fim de satisfazer o "deus deste século" que lhes inspira e conduz até o dia final. Ora, João, o batista dá testemunho de que Jesus é o que tira o pecado do mundo. De fato é assim mesmo, pois do contrário, o que Ele teria vindo realizar neste mundo? De que adiantaria Sua morte vicária, substitutiva e inclusiva, se ela não tivesse eficiência e eficácia contra o pecado?
que confunde os escamados pela religião é que o homem possui natureza pecaminosa que precisa ser destruída na cruz e que, por isso, eles cometem pecados ou atos pecaminosos. Os erros, fraquezas, maldades, deslizes, mazelas e tudo o que condena o homem é conseqüência da natureza pecaminosa e não causa. Para isso se manifestou o Senhor Jesus, para desfazer e destruir as obras do Diabo conforme II Tm. 1:10 - "...e que agora se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual destruiu a morte, e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho..."
A manifestação, a vida, a obra, a morte, a ressurreição e a assunção de Cristo teve um único propósito: realizar a justiça de Deus contra a injustiça do pecado no homem conforme Hb. 9: 24 a 26 - "Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Então, se Cristo aniquilou o pecado, o que há de pecado ainda nos eleitos? Assim, importa que o justificado creia que não mais possui a natureza pecaminosa que o culpava e o condenava perante Deus, mas que apenas continua na carne e que nesta manifestam-se os atos pecaminosos, porque é da natureza da carnalidade manifestá-los. Quanto ao homem interior, o eleito está justificado, mas quanto a influência e a presença do pecado no mundo, ele ainda está sujeito. Então é imperioso que se saiba separar as espinhas da carne, quando saboreia-se um peixe. O eleito não é portador do pecado da incredulidade, porque é perfeito e melhor do que ninguém neste mundo, mas porque foi justificado no sangue regenerador do Cordeiro de Deus que tira o pecado o mundo. O foco não está no homem que recebeu a misericórdia e a graça, mas n'Aquele que realizou a justificação. Os incrédulos religiosos sempre combatem os eleitos por este ensino, porque a eles é sobremodo penoso receber esta verdade. E, como não podem rasgar as páginas das sagradas escrituras, preferem atacar os que foram ordenados para a vida. Quanto a isto, não há problemas, pois querendo ou não, as coisas são assim e assim serão sempre e eternamente, porque a Palavra de Deus declara.
A Cristo, o justo e justificador, glória, força e poder eternamente!

domingo, 27 de abril de 2008

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO VII

Todas as profecias acerca do Cristo, tanto em forma, quanto em conteúdo se cumpriram na pessoa de Jesus. E o título messiânico, "Ungido de Deus" aponta para a obra redentora de Cristo. O ato de ungir alguém indica uma separação para uso sagrado, mostrando que há uma escolha para determinada função outorgada por Deus. Por isso, Jesus é o "Ungido de Deus" conforme os vaticínios em Sl. 2:2 - "Os reis da Terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo..." Também em Sl. 45:7 - "Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros." Em diversas instâncias do texto sagrado se vê o cumprimento de profecias acerca da unção do Cristo de Deus.
A messianidade de Cristo é evidenciada em diferentes momentos da vida de Jesus, como confirmação das profecias. Por exemplo, ele foi profetizado como um profeta conforme Dt. 18:15 - "O Senhor teu Deus te suscitará do meio de ti, dentre teus irmãos, um profeta semelhante a mim; a ele ouvirás..." Também o texto sacro indicava que Jesus seria sacerdote de acordo com Sl. 110:4 - "Jurou o Senhor, e não se arrependerá: tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque." E, finalmente a profecia que afirmava Jesus como rei conforme Sl. 110:2 - "O Senhor enviará de Sião o cetro do teu poder. Domina no meio dos teus inimigos."
Verifica-se que os ministérios profetizados sobre Jesus eram os mesmos da velha aliança. Isto se deu, para que fique claro que todas as Escrituras tratam tão somente de Cristo consoante o que ele mesmo confessa em Mt. 5:39 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim..." Esta verdade se vê até o dia de hoje entre os religiosos: eles estudam teologia, frequentam igrejas, participam de conclaves, encontros, debatem em suas escolas bíblicas, possuem milhares de publicações acerca de Jesus, mas não o conhecem em espírito e em verdade.
Enquanto "o Cristo de Deus", Jesus foi assim reconhecido, porque é um título destinado exclusivamente a Ele. Quando aprouve a Deus manisfestar o Seu Filho ao mundo, manifestou-o como o Cristo, segundo Lc. 2:11 - "É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor." Este título é utilizado 577 vezes no Novo Testamento em relação a Jesus. É o termo grego correspondente ao mesmo termo hebraico de Messias, sendo ambos traduzidos como "O Ungido" ou "O Enviado". Assim, Jesus foi enviado e ungido por Deus para executar tudo quanto estava determinado pelos profetas sobre ele.
Jesus iniciou o seu ministério aos 30 anos, tendo sido revestido do poder do alto para tanto conforme Lc. 3:22 - "... e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e ouviu-se do céu esta voz: tu és o meu Filho amado; em ti me comprazo." Foi investido das funções de profeta conforme Jo. 7:40 - "Então alguns dentre o povo, ouvindo essas palavras, diziam: verdadeiramente este é o profeta." Foi igualmente investido por Deus na função de sacerdote consoante Hb. 3:1 - "Pelo que, santos irmãos, participantes da vocação celestial, considerai o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus..." Também confirmado como rei conforme Jo. 18:37 - "Perguntou-lhe, pois, Pilatos: logo tu és rei? Respondeu Jesus: tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade..."
Jesus foi o único neste mundo que teve autoridade conferida para afirmar as seguintes palavras: "O Espírito do Senhor é sobre mim, pois me ungiu..." de acordo com Lc. 4:18.
A diferença entre todos os demais profetas e Cristo, como profeta é que, aqueles passaram, Este permanece para sempre. Os antigos profetas indicavam e vaticinavam acerca de Cristo, Ele, todavia, anunciou a Palavra de Deus que liberta os cativos e os transfere do reino das trevas para o reino de Deus. Ele não é apenas um anunciador de boas novas, mas é alguém que pode redimir eternamente. A doutrina, isto é, o ensino que Jesus transmitiu, não foi apenas uma opinião mecânica e pessoal acerca da verdade, mas o próprio e direto ensino de Deus conforme Jo. 7:16 - "Respondeu-lhes Jesus: a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou." Em Mt. 23 e 24 Jesus profetizou sobre diversos acontecimentos que ainda iriam acontecer, sendo que alguns deles ainda não aconteceram, porque não é chegado o tempo.
Também como "Sumo Sacerdote", Jesus se diferenciou bastante dos outros sumos sacerdotes que exerceram esta função. Estes eram apenas tipos d'Aquele! Enquanto Sumo Sacerdote Eterno, Jesus é segundo a ordem de Melquisedeque. Isto equivale dizer que, assim como o cananeu Melquisedeque creu em Deus, sendo rei sobre a cidade de Salém que é Jerusalém muito antes da Lei de Moisés conforme Hb. 7:1 - "Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão quando este regressava da matança dos reis, e o abençoou..." Viveu este misterioso rei por volta de 1900 anos antes de Cristo, tendo sido contemporâneo de Abraão. Assim, a identificação do sacerdócio de Jesus com o de Melquisedeque mostra que Jesus é o sacerdote de uma nova aliança e não da Lei. Isto porque, segundo a Lei Jesus não poderia ser sacerdote, visto que não era da tribo dos levitas. Desta forma Jesus foi sacerdote segundo a soberana vontade de Deus que o chamou para isto mesmo segundo Hb. 7:21 - "Jurou o Senhor: tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque..."
Desta maneira Melquisedeque foi um tipo de Cristo, posto que Rei e Sacerdote, tanto quanto o Senhor Jesus o é. O nome Melquisedeque, tem por significado exatamente: "Rei de Justiça, rei de Paz" conforme Hb. 7:2 - "... a quem também Abraão separou o dízimo de tudo (sendo primeiramente, por interpretação do seu nome, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz." O fato de a genealogia, tanto quanto o tempo do nascimento de Melquisedeque não terem sido mencionado foi uma providência do Espírito Santo, para que, em tudo, fosse o tipo de Cristo que é de eternidade a eternidade conforme Sl. 90:2 - "Antes que nascessem os montes, ou que tivesses formado a Terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade tu és Deus." Jesus não necessita de ser identificado no tempo, pois Ele afirma em Ap. 1:8 - "Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso." Assim, pois, o sacerdócio de Jesus, o Cristo é perpétuo consoante Hb. 7:28 - "Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens que têm fraquezas, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, para sempre aperfeiçoado."
Examinando os ofícios de um sumo sacerdote da velha aliança verifica-se que em nada Cristo deixou de cumprir em seu Sacerdócio Real e Eterno. Destacam-se três grandes encargos:
1) Sacrifício da oferta junto ao altar, isto se cumpriu em Jesus, o Sumo Sacerdote, Mediador e Substituto Perfeito no alto do Gólgota, onde Ele mesmo era o sacrificador e o sacrifício de acordo com Ef. 5:2 - "... e andai em amor, como Cristo também vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave." Ele se apresentou com a Sua alma por expiação pelo pecado de muitos de acordo com Is. 53:10 - "Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos." Também, Cristo foi imolado como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo consoante Jo. 1:29 - "No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." O sacrifício de Cristo foi suficiente, eficiente e eficaz, posto que feito uma única vez e validado para sempre conforme Rm. 6:10 - "Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus." Esta parte do Sacerdócio Supremo de Cristo está consumada, perfeita e acabada conforme Jo. 19:30 - "Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito."
2) Também o Sumo Sacerdote da antiga aliança, após sacrificar a oferta pelo pecado, tomava a bacia como o sangue da vítima no dia da grande expiação, uma vez por ano, e o levava para dentro do véu no Santo dos Santos, onde espargia-o sobre o propiciatório entre os querubins. Isto representava a expiação do pecado diante dos olhos de Deus conforme Lv. 15:17, Ex. 25:22 e Nm. 7:89. Por símile, o Sumo Sacerdote, Cristo, apresentou-se no céu diante do trono de Deus levando o sangue derramado para expiar o pecado dos eleitos conforme Hb. 9:24 - "Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus..."
3) Após levar o sangue expiatório, o sumo sacerdote da velha aliança, saía até a presença do povo no átrio para abençoar e orar por eles. Semelhantemente, o Sumo Sacerdote Cristo vive para sempre para interceder pelos seus conforme Hb. 7:25 - "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, porquanto vive sempre para interceder por eles." Também em Gl. 3: 13 e 14 - "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que aos gentios viesse a bênção de Abraão em Jesus Cristo, a fim de que nós recebêssemos pela fé a promessa do Espírito."
Como Rei, o próprio Jesus se referiu a Si mesmo como tal em Jo. 18:37 - "Perguntou-lhe, pois, Pilatos: logo tu és rei? Respondeu Jesus: tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz."
Também Natanael o reconheceu como rei mediante Jo. 1:49 - "Respondeu-lhe Natanael: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és rei de Israel."
Os profetas profetizaram que Cristo viria como rei consoante Sl. 2: 6 a 8, 8:6, 10:6; Is. 9:7; Jr. 23:5. Quando Cristo nasceu foi adorado como rei conforme Mt. 2:2 e 11. Antes de subir à cruz, ao entrar em Jerusalém foi aclamado rei conforme a profecia de Zc. 9:9 e 10, Mt. 21: 1 a 11 e Lc. 19:38. Após a ressurreição de Jesus, Ele foi exaltado como rei conforme Fp. 2:9; Hb. 2:7; Jo. 17:5; At. 2:36, At. 5:31, At. 10:42; Ef. 1:20; Jo. 3:35 e Mt. 28:18.
Finalmente, quando o Senhor Jesus retornar e restaurar todas as coisas será entronizado como Rei Eterno e Bendito. Amém.

sábado, 26 de abril de 2008

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO VI

De fato a encarnação de Cristo ensejou a Jesus, o Nazareno, duas naturezas: a divina recebida do Pai conforme Lc. 1:35 - "Respondeu-lhe o anjo: virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus." Também recebeu a natureza humana de sua mãe biológica, Maria, de acordo com todos os textos que tratam do seu nascimento humano.
Não se pode confundir o fato de o Filho de Deus possuir duas naturezas, com o falso entendimento que Ele se dividiu em duas pessoas. Estas duas naturezas foram unidas na constituição plena de uma única pessoa. Desta maneira pode-se dizer que Jesus não ficou com a Sua divindade humanizada e, muito menos, com a Sua humanidade divinizada. As duas naturezas operaram simultaneamente e separadamente na pessoa única de Jesus. Não havia conflito entre estas duas naturezas, precisamente porque Jesus, mesmo em sua natureza humana, se submeteu plena e absolutamente à vontade de Deus por força da Sua natureza divina conforme Jo. 4: 34 - "Disse-lhes Jesus: a minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra." Observando-se o texto de Sl. 40:8 - "Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração." Jesus não teve "Síndrome de Sméagol" ou distúrbio psíquico de "desintegração de personalidade", pois isto é coisa de Sigmund Freud e dos psicanalistas seguidores da teoria psicanalítica. Jesus é o Deus-Homem e, após a sua ressurreição, o Homem-Deus.
A operação das duas naturezas se conformava a uma única personalidade de modo completo, harmonioso, indissolúvel e eterno. Tal mistério fora anunciado por simbologia da arca da aliança. A arca foi confeccionada sob a supervisão de Deus da seguinte maneira Ex. 25: 10, 11 e 21 - "Também farão uma arca de madeira ,de acácia; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura. E cobri-la-ás de ouro puro, por dentro e por fora a cobrirás; e farás sobre ela uma moldura de ouro ao redor;E porás o propiciatório em cima da arca; e dentro da arca porás o testemunho que eu te darei." Sabe-se que a arca é um símbolo de Cristo e que a tampa dela era o propiciatório, isto é, o local onde o sangue do cordeiro imolado era aspergido para expiação do pecado. O testemunho que fora dado para ser colocado dentro da arca foi: as tábuas da lei, o pote de maná e a vara de Arão. Estes elementos significavam, a Palavra de Deus, o Pão que desceu do céu e a árvore da vida, portanto, todos são símbolos de Cristo.
A simbologia da arca como sendo o Cristo se faz clara, pois a madeira é símbolo da humildade e da natureza humana de Cristo; revestido de glória e justiça divinas - o ouro - está no santuário do céu, onde entrou com o sangue da expiação conforme Hb. 9:5, 7, 11, 12 e 24 - "... e sobre a arca os querubins da glória, que cobriam o propiciatório; das quais coisas não falaremos agora particularmente (...) Mas na segunda só o sumo sacerdote, uma vez por ano, não sem sangue, o qual ele oferece por si mesmo e pelos erros do povo; Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados, por meio do maior e mais perfeito tabernáculo (não feito por mãos, isto é, não desta criação), e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção. Semelhantemente aspergiu com sangue também o tabernáculo e todos os vasos do serviço sagrado."
Assim como a madeira da arca não se misturou ao ouro do seu revestimento, semelhantemente a natureza divina não se confundiu com a natureza humana de Jesus. Por isso, em uma só pessoa, coexistiram duas naturezas, a humana simbolizada pela madeira e a divina simbolizada pelo ouro. Cristo é a arca perfeita na qual os pecadores eleitos foram incluídos para receberem o lavar regenerador no sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Todas estas realidades esplêndidas são reveladas aos eleitos de Deus para que estes descansem na gloriosa graça do Abba.
As duas naturezas operaram simultaneamente na vida de Jesus, por esta mesma razão, é que, Ele foi homem verdadeiro, tanto quanto Deus verdadeiro. Jesus foi tentado como todos os demais homens de acordo com Lc. 4: 1 a 13 - "Jesus, pois, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão; e era levado pelo Espírito no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo. E naqueles dias não comeu coisa alguma; e terminados eles, teve fome. Disse-lhe então o Diabo: se tu és Filho de Deus, manda a esta pedra que se torne em pão. Jesus, porém, lhe respondeu: está escrito: nem só de pão viverá o homem. Então o Diabo, levando-o a um lugar elevado, mostrou-lhe num relance todos os reinos do mundo. E disse-lhe: dar-te-ei toda a autoridade e glória destes reinos, porque me foi entregue, e a dou a quem eu quiser; se tu, me adorares, será toda tua. Respondeu-lhe Jesus: está escrito: ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. Então o levou a Jerusalém e o colocou sobre o pináculo do templo e lhe disse: se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito, que te guardem; e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra. Respondeu-lhe Jesus: dito está: não tentarás o Senhor teu Deus. Assim, tendo o Diabo acabado toda sorte de tentação, retirou-se dele até ocasião oportuna." Estas verdades mostram um homem resistindo apenas pelo poder da Palavra às investidas de Satanás.
Entretanto, Jesus venceu todas as tentações e, por isso, foi Ele servido pelos anjos mostrando de fato a sua origem divina conforme Mt. 4:11 - "Então o Diabo o deixou; e eis que vieram os anjos e o serviram." Estes fatos mostram o Filho de Deus sendo servido por seres espirituais e não por homens.
Por diversas e diferentes ocasiões Jesus abriu mão do uso de suas prerrogativas divinas em benefício próprio. Isto demonstrou que, enquanto homem, Ele dependia exclusivamente da Sua natureza divina. Ele poderia ter invocado mais de 12 legiões de anjos para livrá-Lo da prisão pela delação de Judas no jardim do Getsemani, de acordo com Mt. 26: 53 - "Ou pensas tu que eu não poderia rogar a meu Pai, e que ele não me mandaria agora mesmo mais de doze legiões de anjos?"
Havia de fato duas naturezas operando em uma só personalidade no caso de Jesus, o Cristo. Porque, se alguém retratar apenas a divindade de Jesus, a sua humanidade torna-se irreal ou banalizada. Entretanto, se se retratar apenas a sua humanidade, a sua missão não seria possível, pois certamente ele não seria qualificado como mediador, salvador, justificador e redentor. Não tem como dicotomizar a sua personalidade. Ressaltando-se apenas uma das naturezas de Cristo, a obra de Deus fica ofuscada e a sua Palavra comprometida, pois desde Gêneses até Apocalipse, o assunto é um só: Cristo, o Filho Unigênito de Deus.
A Ele pois, adoração e louvor eternamente!

terça-feira, 22 de abril de 2008

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO V

Ainda sobre a humanidade de Cristo há muitas evidências textuais confirmando esta verdade. Entretanto, tal posição é, para a intelectualidade escamada, uma discussão sem conteúdo, por escassez de consistência epistemológica. Todavia, para os que recebem fé do alto é uma questão crucial, visto que, se não for assumido que Deus se fez homem na pessoa de Jesus, todo o projeto da salvação do pecador estaria danificado.
A salvação, tal como pode ser apreendida das Escrituras, e não em bases religiosas, requer obrigatoriamente a humanidade de Cristo. Logo após a queda do homem, no Éden, este deu início à saga religiosa, cobrindo-se de aventais de folhas de figueira, como consequência do medo gerado pelo pecado. A consciência da sua nudez manifestou-se imediatamente. Sabe-se, no entanto, que tal nudez não era apenas física, pois eles já se acham nus fisicamente ates da queda. Tratava-se da nudez espiritual, a saber, o revestimento da santidade de Deus. 
A morte, ou seja, a separação do homem em relação à natureza divina, gerou incondicionalmente, uma fobia. Por isso, Cristo afirma pela pena do apóstolo João, que "... o perfeito amor lança fora o medo." Também, por esta mesma razão é que o Senhor Jesus utiliza o termo 'não temas' e seus correlatos cerca de 365 vezes no Novo Testamento.
A salvação produzida por Deus é ato e é processo em etapas distintas, porém intercomunicáveis. É um ato eterno, porque antes de o mundo e todas as coisas existirem, Ele já havia provido a forma, o elemento e os meios de levá-la a cabo conforme II Tm. 1:9 - "... não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..." Tal salvação consiste em quatro etapas, a saber:

1) Conversão processual por meio de três momentos:
a) Convencimento do pecado.
b) Fé dada pela graça ao pecador.
c) Arrependimento produzido pela fé.

2) Ato da regeneração ou nascimento do alto que anula a culpa do pecado.

3) Ato da purificação dos atos pecaminosos na Santidade de Cristo.

4) Ato de glorificação, quando o salvo ganhar o corpo incorruptível.

Na "Conversão Processual", Deus trata do pecado e tal conversão se caracteriza por muitas mudanças entre erros e acertos no tocante à busca da verdade. No "Ato de Regeneração" Deus trata da natureza pecaminosa, destruindo-a na cruz por inclusão na morte de Cristo. No "Ato da Santificação", Deus trata do crescimento espiritual do regenerado, produzindo nele a semelhança de Cristo. E, finalmente, no "Ato de Glorificação", Deus trata da restauração plena e final da sua obra eterna de formar para Si uma família por meio de Cristo.
Então, por todas estas razões é que a humanidade de Cristo foi requerida, pois do contrário, Deus poderia operar a salvação sem a necessidade de enviar o Salvador. O tratamento dispensado por Deus ao pecador foi semelhante ao tratamento homeopático, ou seja, cura o doente e não apenas a doença, aplicando-lhe o remédio homólogo à doença. Para tanto, Deus providenciou não apenas a doação, mas também o próprio doador em pessoa, a saber, Cristo Jesus. Deus o fez pecado para retirar o pecado do mundo conforme II Co. 5:21 - "Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." É a justificação do injusto por meio do Justo.
As Escrituras chamam Jesus de "Homem" consoante o texto de At. 2:22 - "A Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós..." Também o próprio Pilatos afirma: "Eis aí o homem." conforme Jo. 19:5. Jesus mesmo faz referência a Si como homem em Mt. 4:4 - "Não só de pão viverá o homem..." Em Jo. 8:40, o Senhor Jesus replica aos religiosos: "...agora quereis matar-me, homem, que vos tenho dito a verdade." Ainda Paulo escreve que "...a graça e a ressurreição vieram por meio de um homem..." em I Co. 15:11. Finalmente, em I Tm. 2:5 é afirmado que "... há um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem."
A expressão "o Filho do Homem" é utilizada 69 vezes no novo testamento. Ela expressa a sua humilhação e sofrimento como representante legal da humanidade conforme Mt. 8:20, 11:19, 20:28; Mc. 8:31; Jo. 9:28, 12: 23 e 24, entre outras passagens. Jesus, o Cristo de Deus representa o último Adão consoante I Co. 15:45 - "Assim também está escrito: O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante." O primeiro Adão, fora feito alma vivente conforme Gn. 2:7 - "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente." Assim, a vida do primeiro Adão, representante da raça humana, estava apenas na alma. Todavia, a vida do último Adão estava no Espírito, e não apenas isto, mas Ele pode conceder vida aos regenerados, pois é vivificante. Jesus, pois tornou-se o último Adão, justamente para destruir ou matar a raça adâmica contaminada pelo pecado. Ele o fez doando-se a Si mesmo para a morte, e morte de cruz. Nele, fomos atraídos e incluídos em sua morte de cruz a fim de recebermos deste Espírito vivificante a vida verdadeira. A atração é referenciada em diversas instâncias, das quais selecionam-se duas: Os. 11:4 - "Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas, e me inclinei para lhes dar de comer." E, também em Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer."
No tocante à experiência de aniquilamento ou destruição da natureza adâmica, pecaminosa, ou ainda, do velho homem, temos em Rm. 6: 6 e 11 - "...sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado (...) Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus." O homem decaído e morto em seus delitos e pecados, não pode crer esta verdade, a não ser que do alto lhe seja concedido conforme Jo. 6: 44 e 65 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia (...) E continuou: por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido."
Jesus teve um nascimento como qualquer outro homem que veio ao mundo, ainda que Maria houvera concebido de modo sobrenatural. O texto sagrado diz em Lc. 2:7 - "...e teve a seu filho primogênito; envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem." As Escrituras mostram que o próprio Deus preparou um corpo para o Seu Filho conforme Hb. 10:5 - "Pelo que, entrando no mundo, diz: sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste..." Tantos outros textos nos mostram que Jesus, "participou da carne e do sangue." Que Ele "se fez carne e habitou entre nós..." Ainda que Ele "veio em carne..." E, também, que teve corpo, alma e espírito. Esteve sujeito ao crescimento e ao amadurecimento naturais, além de virtudes morais, pois aprendeu a obediência.
Jesus foi um homem absolutamente integrado à sociedade do seu tempo, visto que era membro de uma família, trabalhou na carpintaria do seu padrasto, teve um nome humano, era descendente de uma linhagem humana do ramo davidiano, cumpria todos os deveres cerimoniais, fiscais e jurídicos. Também, enquanto esvaziado da Sua deidade esteve limitado ao espaço e ao tempo. Ele sentia cansaço e fome, foi tentado em tudo, e isto, inclui impulsos sexuais, ira, afeto etc. Ele dependia de Deus, enquanto um ser humano.
O único diferencial é que Jesus, mesmo encarnado, não cedeu ao pecado e, muito menos aos pecados conforme Ele mesmo afirma "...Quem dentre vós me convence de pecado?" Jo. 8:46.
Ora, resta apenas render a Cristo toda majestade, e glória, e poder eternamente.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO IV


Prosseguindo no afã de conhecer verdadeiramente o Senhor Jesus, o Cristo não se pode deixar de evidenciar que Ele é verdadeiro homem, tanto quanto é verdadeiro Deus. Pois Cristo "... subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens." conforme Fp. 2: 5 e 7.
Tal verdade é fundamental à compreensão da obra redentora de Cristo, pois esta não teria validade, caso o salvador tivesse apenas natureza espiritual. Neste caso, a crucificação, a morte e a ressurreição d'Ele não seriam possíveis. Somente com a natureza humana, Cristo poderia estar sujeito às mesmas paixões e contingências do homem a fim de justificar o pecador. Por isso, a Deus agradou enfermá-Lo, esmagá-Lo e torná-Lo pecado, incluindo n'Ele, o homem decaído consoante o texto de Is. 53. Assim, foi satisfeita, em Cristo, plena e absolutamente a exigência do 'Decreto Eterno", a saber, "a alma que pecar, esta morrerá."
Por estas razões todas é que "Cristo, Deus bendito eternamente" segundo Rm. 9:5 renunciou voluntariamente à todas as prerrogativas de Sua deidade e glória que possuía junto ao Pai, para se humilhar, padecer e morrer na cruz, ressuscitando ao terceiro dia. Assim, de um lado Ele viveu como Deus verdadeiro, mas também, de outro lado, como homem verdadeiro. Este é um mistério impossível de a mente humana decaída dirimir, visto ser esta extremamente limitada, temporal, imperfeita e oposta em natureza a Deus.
A figura de Jesus, o Cristo tem sido ao longo da história uma das mais controversas, não porque Ele seja controvertido, mas porque homens controversos o analisam por suas próprias lentes. Eles não têm interesse real e espontâneo em conhecê-Lo em verdade, mas para enquadrá-lo dentro de parâmetros estritamente religiosos, conforme os desejos humanos dissociados de Deus. Por isso, muitos "Concílios Ecumênicos" foram convocados, visando tratar de assuntos relativos a Cristo.
O Concílio de Nicéia I realizado em 325, teve lugar e necessidade no seio da cristandade, porque no século II surgiu o "Arianismo", sob o comando do presbítero Ário de Alexandria, o qual defendia que Jesus era apenas uma criatura de Deus, e, portanto, subordinado ao Criador. Esta posição ou escola ficou conhecida também como "Subordinacionismo". O Concílio de Nicéia I, definiu após muita polêmica, que o Filho de Deus é consubstancial 'homoousios' ao Pai, o que significa que não foi criado, mas compartilha da essência do Pai ou da Sua divindade. Este concílio foi convocado pelo Imperador Constantino que havia "se convertido" ao cristianismo por mero interesse político.
O Concílio de Constantinopla I convocado pelo Imperador Teodósio em 379 a 395, tinha por objeto principal a questão sobre o Espírito Santo. Desta vez o bispo Macedônio de Constantinopla levantou a tese que o Espírito Santo era apenas uma criatura e não Deus consubstanciado na Trinadade. Por isso, tal doutrina foi denominada de "Macedonismo" ou "Pneumatomaquismo". Entretanto, a conclusão do dito concílio, afeta a pessoa de Jesus, o Cristo, pois este reafirmou a Sua perfeita divindade, tanto quanto a do Pai e do Espírito Santo. Por isso, no Credo Niceno aparecem as seguintes palavras: "Cremos no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que é adorado e glorificado com o Pai e o Filho e que falou pelos profetas".
O Concílio de Éfeso em 431, tratou da maneira como referir-se à Maria: se 'Theotokos', isto é, mãe de Deus, ou 'Christotokos', ou seja, mãe de Jesus. O primeiro caso era defendido pelo bispo de Alexandria, Cirilo, o segundo, defendido por Nestório bispo de Constantinopla. Para Nestório, a humanidade de Jesus seria apenas o templo ou revestimento do Filho de Deus. A divindade teria passado por Maria, mas não nascera dela, o que implicava em uma pessoa humana em Jesus, distinta da segunda pessoa divina da trindade. Este concílio condenou e depôs Nestório, rejeitando a sua doutrina. Condenou o "Pelagianismo", doutrina que colocava no homem capacidades que o permitia participar ativa e livremente no processo da sua própria salvação. Condenou também o "Messalianismo" uma corrente de espiritualidade que apregoava a total apatia ou uma oração indiferentista nos credos cristãos, além do ascetismo monástico, inclusive para mulheres.
O Concílio de Calcedônia, em 451 foi convocado pelo Imperador Marciano, porque embora a questão do "Nestorianismo" tivesse sido superada, surgiu uma outra controvérsia acerca de Jesus. Eutiques de Constantinopla, adversário de Nestório e seguidor de Cirilo, ultrapassou o seu mestre, ensinando o seguinte: em Cristo, não havia apenas uma pessoa, ou um só eu, mas havia também uma só natureza, visto que a natureza divina absorvera a humana. A tese da ortodoxia, que rejeitava a dualidade das pessoas, foi exageradamente enfatizada no chamado "Monofisismo" ou "Monofisitismo". Tal posição suscitou ardente controvérsia, pois se lhe opunham Teodoreto de Ciro, Domno de Antioquia e o próprio Papa Leão I (440-461). Este concílio conclui pelo seguinte: em Cristo há uma só pessoa, mas duas naturezas, a divina e a humana, não confundidas entre si.
O Monofisismo, que não houvera se extinguido após o Concílio de Calcedônia, assumiu nova forma, bastante sutil, chamada "Monotelitismo". Este ensinava que em Cristo havia uma só vontade, a divina e um só princípio de atividade ou energia, o divino. Isto redundaria em unidade de natureza ou "Monofisismo" da mesma forma. O mentor desta tese era o Patriarca Sérgio de Constantinopla, ao qual se opunha Sofrônio de Jerusalém. A disputa suscitou, da parte do Imperador Constantino IV, Pogonato (668-685), a convocação de bispos, e legados papais, para a cidade de Constantinopla. Assim teve origem mais um Concílio Ecumênico de 680 a 681. O Monotelitismo foi então condenado e afirmou-se a existência, em Cristo, de duas vontades, a divina e a humana, moralmente unidas entre si, e de dois princípios de atividade.
No Concílio de Nicéia II, a questão em tela era denominada de "Iconoclastia", ou seja, da adoração de imagens. Morto Leão IV, a rainha-mãe e regente, resolveu, de comum acordo com o Papa Adriano I (772-795), convocar um Concílio Ecumênico para Nicéia. Este realizou-se em 787. Fora lida uma carta do Papa ao Patriarca Tarásio de Constantinopla e a Irene em favor das imagens. O Concílio declarou, entretanto, que reconhecia a intercessão de Maria, dos anjos e dos santos, assim como o culto à Cruz e às imagens. Tal culto seria relativo ao Senhor Jesus e aos santos, de modo tal que ao primeiro, Jesus Cristo, se prestaria adoração e aos santos veneração. Esta prática se percebe ainda hoje em determinados seguimentos do cristianismo puramente histórico. Entretanto, qualquer dicionário simples dá como sinônimo as palavras adoração e veneração.
Bem, continuaram diversos outros concílios cujos temas, ora giravam em torno de questões comportamentais, ora em tonro de questões dogmáticas e rituais e, ainda, ora em torno de questões puramente políticas. O fato é que Jesus continua sendo um ilustre desconhecido do ponto de vista que interessa conhecê-Lo.

domingo, 20 de abril de 2008

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO III


Considerando todo o teor e o propósito da verdade bíblica, Cristo ainda é uma das pessoas mais desconhecidas. Apesar dos quase dois milênios de cristianismo, Ele raramente é conhecido em espírito e em verdade. O conhecimento a que se alude aqui, não é um mero assentimento intelectivo ou cognoscível. Há profunda diferença entre o saber puramente humano intuitivo e o conhecimento sobrenatural. As escrituras declaram que o saber de caráter cognitivo é terreno, almático e diabólico conforme Tg. 3:15 - "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." No texto original, a palavra traduzida por animal, é, na verdade, almática ou da alma. Acrescenta-se que, dependendo do contexto do texto bíblico neotestamentário, a própria palavra 'sabedoria' é grafada da mesma forma que a palavra demônio.
O verbo saber em grego koiné é 'eidenai' e não tem o mesmo peso do verbo conhecer que é 'guinosko'. Enquanto saber é apenas um conhecimento genérico e difuso ou informal, conhecer é de cunho vivencial, íntimo e específico. Por exemplo, milhões de pessoas sabem quem é Pelé, todavia, poucas pessoas conhecem de fato, este desportista. Então, o máximo que se pode admitir sobre o Cristianismo histórico e os "cristãos" nominais é que eles sabem quem é Jesus, o Cristo, mas pouquíssimos, conhecem-no em espírito e em verdade.
Embora as Escrituras declarem solenemente que a vontade de Deus é que "conheçam Àquele a quem Ele enviou", poucos o podem conhecer. Isto acontece porque o homem em seu estado decaído, não possui natureza inclinada para Deus e o Seu Filho. Apenas por meio da ação monérgica de Deus é que o homem chega ao pleno conhecimento de Cristo, a saber, da verdade.
O conhecimento que importa não é um mero saber cognitivo ou informativo acerca de Cristo, mas conhecê-Lo experimental e vivencialmente. Tal experiência requer uma experiência sobrenatural e não religiosa. Isto porque, a religião é uma busca que parte do homem em direção a Deus, por ação sinérgica. Entretanto, é uma busca inglória, pois o homem portador da natureza pecaminosa não pode se aproximar de Deus com base em si mesmo. Ao contrário, na ação monergística, Deus o busca pelo convencimento realizado pelo Espírito Santo, utilizando-se da Palavra, porque a fé vem pelo ouvir, e o ouvir da Palavra de Deus. A isto dá-se o nome de revelação e vivificação conforme Ef. 2:1 - "Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados..."
Desta forma importa, não apenas saber, mas também e principalmente conhecer que Jesus, o Cristo é igualmente Deus verdadeiro, tanto quanto o Pai. Jesus é Deus desde a eternidade conforme o texto de Jo. 1: 1 a 3 - "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez." Entretanto, mesmo depois de esvaziar-se a Si mesmo da Sua prerrogativa divina, conforme Fp. 2:7 - "...mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens...", Ele continuou sendo Deus. Isto porque continuou revelando a glória do Unigênito do Pai de acordo com Jo. 1:14 - "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai." Ainda que na forma humana do homem histórico, Ele continuou revestido da plena graça e da verdade que são atributos divinos.
Em Jo. 20:36 e I Jo. 5:10 fica claro que Jesus é o Cristo e o Filho de Deus "...estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome... Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o faz, porque não crê no testemunho que Deus de seu Filho dá." As Escrituras, não apenas afirmam que Jesus é o Cristo, Filho de Deus, e igualmente Deus, mas que também Ele é o único, suficiente e eficiente salvador.
Em Hb. 1:8, o próprio Deus chama Jesus de Deus - "Mas do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos, e cetro de equidade é o cetro do teu reino." Em diversas outras instâncias, Jesus é chamado de "meu Filho amado." Jesus declara por Si mesmo que Ele e o Pai são um só em Jo. 10:30, isto é, partilham da mesma natureza santa, justa e perfeita. O anjo enviado por Deus chamou Jesus de Filho de Deus em Lc. 1:35. O próprio Jesus se definiu como Deus em Mc. 14:61 e 62 - "Ele, porém, permaneceu calado, e nada respondeu. Tornou o sumo sacerdote a interrogá-lo, perguntando-lhe: és tu o Cristo, o Filho do Deus bendito? Respondeu Jesus: eu o sou; e vereis o Filho do homem assentado à direita do Poder e vindo com as nuvens do céu."
Jesus se declarou como sendo o Filho Unigênito que está no seio do Pai em Jo. 1:18. Também disse: "quem me vê a mim, vê o Pai." em Jo. 14:9. Para a mulher de Samaria, Jesus se declarou como o Messias conforme Jo. 4:25 e 26. Em Ap. 22:13, Jesus se declara como o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro, o Princípio e o Fim. A expressão utilizado por Jesus em Jo. 8: 24, 28 e 58 é a mesma utilizada em Ex. 3:14, isto é, "Eu Sou."
Além do próprio testemunho de Jesus, todos os apóstolos afirmam em suas experiências, que Ele é Deus. João, o batista delcarou que Jesus era o Filho de Deus em Jo. 1:34. Pedro testifica: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." em Mt. 16:16.
Em At. 3:14, Jesus foi chamado "nosso Deus e Salvador Jesus Cristo." Pedro disse que Jesus é o Senhor de todos em II Pd. 1:1. Paulo, em Rm. 8:32 afirma que Jesus "é o próprio Filho de Deus". Até o cético Tomé se referiu a Jesus como "Senhor meu, e Deus meu." conforme Jo. 20:28. Também os próprios demônios afirmaram a divindade de Jesus de acordo com Mc. 1:24.
Acrescenta-se que Jesus tem atributos divinos, tais como: Onipontência conforme Lc. 4:35, 36 e 41. Demonstrou-o pelo poder sobre demônios, sobre as doenças, sobre o vento e as águas, sobre a morte, quando ressuscitou mortos. Jesus é Onipresente conforme Mt. 28:20, II Co. 13:4 e Ef. 1:23. Também Jesus é Onisciente de acordo com Jo. 2:24, 4:16 a 19, 6:64.
Jesus é imutável conforme Hb. 1:12 e 13:8. É também eterno conforme Cl. 1:17, Jo. 1:1, Mq. 5:2, Is. 9:6 entre outros.
Jesus deve ser adorado de acordo com Mt. 28:9 e 17, 14:33, 15:25 e Lc. 24:52, além de Hb. 1:6.
Jesus é Santo conforme At. 2:27, 3:14 e 4:27, entre tantos outros textos. Ele também é amor de acordo com Ef. 3:19, Jo. 14:31, 15:13, Ef. 5:2, Rm. 5: 6 e 8, além de Jo. 13:1. Também o Senhor Jesus perdoou pecados conforme Mt. 9:5, Lc. 5:20, 7:47 a 50 e At. 10:38.
Finalmente Jesus é a verdade de acordo com Jo. 1: 14 e 17, 8:32, 14:6, 15:1 e 18:37. Então, por todas estas realidades bíblicas e espirituais, Jesus é verdadeiro Deus. A Ele, pois todo louvor, e honra, e glória de eternidade em eternidade.

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO II


Deus em Sua infinita Sabedoria e indiscutível Soberania guardou mistérios ao longo dos tempos. Um desses mistérios foi o plano para justificar o homem injusto por conta da queda no pecado, e ainda assim, permaneceu perfeitamente Justo. Isto equivale dizer que Deus cumpre o Seu "Decreto Eterno" quanto à sentença punitiva contra a injustiça do pecado, sem que houvesse injustiça da arte d'Ele. Como o homem não pode prover a sua própria salvação, porque é, antes, o objeto dela, Deus resolveu se fazer homem, se encarnando e habitando entre os pecadores na pessoa de seu Filho, o qual veio a ser chamado de Jesus. Em Romanos 9:5 é revelado que Cristo é: "... e de quem descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente." Portanto, este é o mistério do Deus encarnado ou do Deus-Homem. Um homem histórico abrigava o Filho Unigênito de Deus em seu corpo.
A encarnação de Cristo em Jesus, o fez Filho de Deus e Filho do Homem ao mesmo tempo, é uma trama de duas cordas repleta de sabedoria, justiça e amor divino. Em I Tm. 3:16, a encarnação é assim tratada: "grande é este mistério da piedade: aquele que se manifestou em carne..." Deste poderoso mistério depende toda a substância do evangelho da verdade, o qual provê salvação e redenção aos eleitos de Deus.
O veículo que possibilitou a encarnação de Cristo foi uma virgem, por meio de uma concepção sobrenatural, posto que providenciada pelo próprio Deus e fora de qualquer parâmetro na biologia. Logo após a queda, em Gênesis 3:15, Deus deixou claro o seu projeto de encarnação para redenção do homem decaído: "... porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." A expressão, "entre ti e a mulher" significa entre a serpente, ventríloqua de Satanás, e a mulher símbolo da Igreja. Também a expressão, "entre a tua descendência e o seu descendente" significa que haveria inimizade entre os homens portadores da natureza envenenada pelo pecado inoculado pela serpente e o descendente da mulher, a saber, Jesus, o Cristo de Deus. É imperioso notar o que o texto ensina, pois não se refere aos descendentes da mulher, mas ao seu descendente, como sendo uma única pessoa. Este descendente da mulher que viria esmagar a cabeça da serpente é Jesus. Ele realizou esta obra na cruz quando venceu a morte e o inferno ao morrer e ressuscitar ao terceiro dia. Este é o sinal de Jonas a que alude Ele mesmo em Mateus 16:4 - "Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. E, deixando-os, retirou-se." O profeta Jonas foi imerso nas profundezas das águas por três dias, tendo sido resgatado por Deus depois. Por semelhante modo, Jesus morreu e passou três dias nas entranhas da Terra, onde apresentou-se aos mortos para testemunho.
O profeta Isaías adiantou séculos antes, o seguinte: "...uma virgem conceberá e dará a luz um filho e será o seu nome Emanuel..." Ora, sabe-se que Emanuel quer dizer, Deus conosco, assim, Cristo habitou entre os homens por meio da pessoa histórica de Jesus. Porém, como já foi dito, não são duas pessoas, pois consubstanciam-se em uma só.
O próprio nome foi atribuído por Deus, quando o arcanjo Gabriel anunciou o nascimento de Jesus a Maria: "...em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus." Sabe-se que Jesus é em hebraico, Yeshuah, que quer dizer 'aquele que salva', ou 'Jeová é a salvação'. Quando a jovem Maria recebeu a notícia, indagou em sua condição humana: "como se fará isto, visto que não conheço varão?" Ao que o arcanjo esclareceu o mistério de Deus: "descerá sobre ti o Espírito Santo e a virtude do Altíssimo te cobrirá como a sua sombra, pelo que também o Santo que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus." Este é um mistério que só se pode receber pela fé genuinamente bíblica conforme as Escrituras afirmam em Hebreus 11:3 - "Pela fé entendemos..." Logo, assim se entende que tudo aconteceu conforme as Escrituras afirmam. Muitos incrédulos hoje em dia afirmam que esta profecia é um plágio de mitos antigos, especialmente, dos sumérios. Entretanto, desconhecem que o fato é semelhante aos descritos nos mitos sumerianos, mas aqueles foram falsificados pelos Nefilim que habitaram a Terra para confundir a profecia de Deus. O Diabo sempre utilizou estes métodos para confundir e fortalecer a incredulidade dos homens decaídos. Sobre estes Nefilim leia os quatro estudos sobre eles na aba de janeiro de 2008 neste blog.
Assim, Cristo veio ao mundo por meio de um nascimento absolutamente natural, mas, também absolutamente sobrenatural. Mesmo o local do nascimento humano do Filho de Deus foi predeterminado conforme Miquéias 5:2 - "Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade." Embora José e Maria habitassem no outro extremo geográfico da província da Judeia  Deus interferiu fazendo que o Imperador Romano decretasse um recenseamento obrigatório. Maria se achava grávida por ocasião do alistamento e, portanto, se deslocou da Galiléia até a Judéia, não achando hospedaria na cidade de Jerusalém, procurou abrigo em Belém de Judá, onde o Filho de Deus nasceu para que se cumprisse toda a profecia.
O nascimento foi anunciado por miríades de anjos aos pastores de ovelhas que imediatamente louvaram ao Messias da promessa. Desta forma fica evidente que o verdadeiro Deus, veio ao mundo por meio de um verdadeiro homem, Jesus. Assim, o Logos divino se fez carne e Deus introduziu no mundo o seu primogênito entre muitos irmãos que viriam a ser regenerados para formar a Igreja. Vindo, porém em semelhança de carne, não pecou, mas fora feito pecado para justificar os pecados de muitos.
Esta é, pois a forma sobrenatural incontestável, aos que ganham fé, e perfeita que o Pai realizou para satisfazer plenamente a exigência da Sua Justiça, tirando o pecado do mundo por meio do Cordeiro imolado antes da fundação do mesmo mundo. Esta foi a maneira justa de justificar os injustos, destruindo o velho homem, a velha natureza ou natureza adâmica por inclusão em seu Filho crucificado, morto e ressurrecto dentre os mortos.
A Ele, pois honra e glória eternamente!