domingo, 23 de março de 2008

Os Inimigos da Cruz VIII


Romanos 8, dos versos 29 a 35 nos fala de como Deus conheceu, predestinou, chamou, justificou e glorificou os eleitos: "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós; quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?"
Ainda no mesmo texto, considerando a perícope interna, percebe-se o inteiro teor da soberana vontade de Deus ao escolher os que desejou ter como família eterna. Estes eleitos não são em nada melhores que qulaquer outro homem pecador. A única diferença é que Deus os conheceu de antemão, isto é, antes que eles viessem à existência, e que fizessem o bem ou o mal moral. No mesmo texto é indagado quem poderá questionar isto!
No texto em tela, o verbo conhecer é 'proginoskô', isto é, conheço antes, sei de antemão, envolvendo mais do que a presciência. Segundo Thayer e Mayer, conhecer, neste caso, significa predestinar ou designar de antemão para uma posição ou função. É uma categoria de conhecimento que envolve soberania plena, isto é, simplesmente Deus escolhe por desejar e querer escolher. Não houve nada nos escolhidos que O obrigasse ou O movesse em Sua escolha a não ser a Sua própria vontade. De fato, não poderia ser diferente, visto que não há nenhum homem digno diante de Deus conforme o registro de Ec. 7:20 "Pois não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque." Justamente porque a situação do homem é irremediável, que Deus fez a Sua escolha com base na sobranaia e não nos méritos humanos ou apenas na Sua presciência. Do contrário, ninguém seria redimido, e isto, não tornaria Deus injusto, porque o salário do pecado é a morte, ou seja, a separação eterna de Deus. Todos pecaram e estão destituídos da glória d'Ele. Injusto é o pecador imaginar que Deus seria injusto ao usar da Sua soberanaia para escolher a quem quer. Pode o barro questionar o oleiro? Pode os inimigos da cruz intentar acusação contra os eleitos de Deus? Podem os da religião de Caim condenar os escolhidos de Deus?
O texto mostra a razão clara da eleição: "para serem conforme a imagem do Seu Filho..." A finalidade última é que Cristo seja o primogênito entre diversos regenerados que foram feitos filhos de Deus por adoção. Então, Deus quis separar um grupo para formar uma família para Ele! O texto mostra a soberana determinação de Deus, não só para querer, mas para realizar o seu desígnio. Conheceu, elegeu, chamou, justificou e glorificou tudo de antemão, pois Ele não está sujeito à relação espaço-tempo.
Cumprindo regras da exegese podemos lançar mão de inúmeros textos paralelos cujas perícopes são as mesmas. Por economia de espaço toma-se, neste momento, o texto de Ef. 1: 3 a 8: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado; em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça, que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência..." Este paralelismo é progressivo e sintético em significado e conteúdo. Guarda o mesmo teor do texto de Rm. 8, isto é, aponta para a mesma verdade!
A expressão: "para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos" de Rm. 8 forma o que se chama em exegese bíblica de quiasmo com a expressão: "como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo" de Ef. 1.
A exposição anterior não tem por objetivo o pedantismo, mas porque os inimigos da cruz de Cristo costumam, por falta de conteúdo, desqualificar as afirmações que não sejam afinadas às suas pseudo-teologias. Eles fazem uma espécie de eisegese, isto é, introduzem no texto sagrado as suas idéias, conjecturas e mitos, como é o caso do famingerado "livre arbitrio." Eles acrescentam conteúdos humanistas e gnósticos aos textos para disso fazerem suas doutrinas. O exegeta, ao contrário, deve imergir no texto, para do seu contexto, emergir com a verdade ali revelada.
As indagações paulinas têm um peso estritamente didático, visto que ele conhecia as respostas de antemão. Assim, ele coloca: "que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; Quem os condenará?" A resposta é retirada do próprio texto, sem prejuízo do seu contexto, pois a inspiração é de Deus, o atuor é o mesmo, o fundo histórico é o mesmo, o estilo é o mesmo, o livro é o mesmo, a verdade e una e não múltipla. Paulo, responde com serenidade: "é Deus quem os justifica"! E ajunta o fundamento: "Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos." Fala de morte e de ressurreição em Cristo como o fundamento da impossibilidade de acusação e de condenação contra os eleitos de Deus. No contexto responde que nada e ninguém poderá separar os eleitos tornados filhos adotivos de Aba. Isto é viver da graça maravilhosa de Deus e não de religiosidade barata.
Os inimigos da cruz de Cristo, que são da turma do Caim, detestam a expsição da verdade pelas lentes das Escrituras, justamente porque isto lhes expõe à verdade. Por medo de não estarem conformados à semelhança de Cristo pela inclusão em sua morte de cruz, como também pela ressurreição juntamente com Ele, preferem fazer o papel de Satanás, isto é, acusar os eleitos e tentar levá-los à mesma condenação que lhes está posta por natureza. Como não têm argumentos, preferem lançar mão do reducionismo e classificar os que lhes são por "desafetos" espirituais, como antinomistas, perfeccionistas, heréticos e sectários.
Que continuem rasgando as suas desconhecidas e mal interpretadas bíblias, porque a Palavra de Deus permanece para sempre!
Sola scriptura!










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