sábado, 16 de fevereiro de 2008

A FALSA TEOLOGIA UNIVERSALISTA DO "TODOS" VI

No presente estudo será apresentado um texto bíblico, no qual a palavra 'todos' assume diferentes funções gramaticais e semânticas. O objetivo desta exposição é despertar nos leitores das Escrituras a necessidade de uma leitura mais criteriosa. Há uma forte tendência à leitura forçada e direcionada afim de fazê-la coincidir com o sistema religioso ao qual o leitor pertence. Isto pode acontecer devido ao desconhecimento das regras de interpretação, ou de uma profunda autossugestão por doutrinação das denominações religiosas, indivíduos manipuladores, ou seitas heréticas. Há grupos institucionais que realizam uma verdadeira lavagem cerebral nos seus seguidores. Isto ocorre de modo sutil, lento, e gradativo. Assim, depois de certo tempo eles se tornam reprodutores de um sistema o qual nem eles compreendem ou questionam. É o que se denomina de religião de segunda mão. Tornam-se meros multiplicadores da mentira!
Sabe-se que as palavras são significantes que podem ter um, ou diversos significados, dependendo, portanto, do contexto e do sentido que se pretendeu dar a ela quando da sua utilização no texto bíblico. No tratamento ao texto sagrado pode-se falar em exegese, quando se extrai do texto o seu melhor ou o seu real significado, respeitando as regras. E, de eixegese, quando se inserem sentidos ou significados, os quais o texto não admite, desrespeitando-se as regras. Assim, e em função das contingências humanas, a maior parte das traduções ou interpretações faz, mais eixegese do que exegese. A tendência dos tradutores ou estudiosos é impregnar os textos com aquilo que creem e não exatamente com a devida isenção e honestidade. Eles leem a Bíblia, mas não se deixam serem lidos por ela.
A hermenêutica é a ciência e a técnica de fazer que o texto, em toda a sua extensão e profundidade, tenha um sentido revelador e inteligível àquele que o lê. Então, o leitor deve estar muito atento ao contexto do texto, ao que o texto fala, a quem o texto fala e o porquê de cada fala, como também, às funções de cada palavra. Em semiologia, a função da hermenêutica é dar o sentido ou a interpretação dos signos o real valor simbólico que eles representam. Em teologia bíblica, a hermenêutica se presta à interpretação dos textos e do sentido das palavras. A palavra 'hermenêutica' provém do grego 'herméneutikós', que em última análise significa interpretação e maneira de fazer alguém compreender uma comunicação ou enunciado. Isto porque era função do deus Hermes trazer e traduzir as mensagens dos deuses aos homens, conforme a mitologia grega. Esta é uma explicação apenas da etimologia da palavra hermenêutica.
A exegese é um comentário ou dissertação que tem por objetivo esclarecer ou interpretar minuciosamente um texto ou uma palavra, para, depois, se obter um maior esclarecimento ou clareza de ideias e verdades nele contidas. A eixegese, ao contrário, ocorre quando o intérprete ou hermeneuta insere sentido que o texto não pede, não admite e não contém. Desta forma, tanto o que faz exegese, quanto o que faz eixegese pode fazê-lo em função da base do sistema da sua crença, e não no real sentido e significado do texto sagrado. Neste ponto, o texto torna-se apenas humanizado e sem revelação alguma. Possui apenas letra, mas não possui espírito.
No estudo de número IV foram demonstrados os diversos significados e funções gramaticais da palavra 'todos' no texto grego neotestamentário. Deve-se verificar nos próprios textos bíblicos estas funções e significados. Lembrando-se que a primeira regra áurea da hermenêutica bíblica é que as Escrituras se interpretam por si mesmas. Elas devem ser estudadas em toda a sua extensão, pois o objetivo da revelação é glorificar ao Senhor Jesus, validar a justiça de Deus e cumprir o "supremo propósito" do Eterno. As Escrituras não se prestam à satisfação de quaisquer religiões, seitas ou doutrinas. Não se curva à vontade de qualquer homem, por mais que este seja reto, íntegro, temente e desvie-se do mal. Não está a serviço de nenhuma denominação religiosa, por mais bem intencionada que seja, por mais humanista que seja, por mais engajada que seja. A Palavra de Deus serve tão somente à vontade soberana d'Ele.
Rm. 10:12 a 18 - "Porquanto não há distinção entre judeu e grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? assim como está escrito: quão formosos os pés dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos deram ouvidos ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem deu crédito à nossa mensagem? Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo. Mas pergunto: porventura não ouviram? Sim, por certo: por toda a Terra saiu a voz deles, e as suas palavras até os confins do mundo." A primeira palavra 'todos' deste texto é 'pánton', isto implica em que todos os povos, tribos, nações e etnias estão debaixo do domínio de Deus e não que todos os homens serão salvos, ou que apenas os judeus seriam salvos. Quer dizer apenas que Deus é Senhor não apenas de um povo, raça ou nação, mas de todas as etnias, isto é, que Ele é de fato Senhor sobre todos.
A segunda palavra 'todos' que aparece no texto retromencionado é 'pantas', isto é, 'todos' no sentido da totalidade de uma categoria de pessoas distintas, no caso, os que o invocam e não todos os homens. No verso 13, se vê que a palavra é 'todo', e, no grego é 'pâs', isto é, cada um, toda sorte de, cada pessoa. Isto não significa todos os homens, mas apenas aquela pessoa que invocar o nome do Senhor é que será salva. Isto é confirmado em Jo. 1, versos 11 e 12. Todo aquele que, não significa todos os homens, pois se assim fosse, todos invocariam o nome d'Ele e todos seriam salvos.
Na continuação do texto se percebe claramente que 'todo' aquele que invocar o nome do Senhor e que, por consequência disso, será salvo, são os que ouvir a pregação do evangelho, e, consequentemente crer. Obviamente, não se pode apressar em deduzir, que, o crer é uma escolha live dos que ouvem a pregação, pois Ef. 2: 8 e 9 ensina que a fé é dom de Deus e não uma virtude própria do homem. O que muitos religiosos confundem, neste caso, é a fé divina com a esperança ou expectativa humana.
No verso 16 do texto em tela, vê-se que nem todos deram crédito à pregação do evangelho, porém eles não deram crédito, porque não foram vivificados para crer. Visto que todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, como podem nestas condições ter fé em si mesmos? A palavra 'todos' neste verso é 'pantes', ou seja, todo o mundo. Os versos 17 e 18 demonstram que a pregação do evangelho é abrangente a todos, mas quanto ao crer, não é de todos. Isto é confirmado em II Ts. 3: 2b - "... porque a fé não é de todos." Os homens maus a que alude este texto de Paulo aos tessalonicenses são maus, porque não têm fé e não, como se presume comumente, que eles não têm fé porque são maus. A fé não depende da condição moral do homem, pois ela é um dom de Deus conforme Jd. 3b - "exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos."
Acontece que Deus concede fé aos seus eleitos para que ouvindo, ouçam e vendo, vejam e creiam e sejam salvos. Todavia, aos que não foram preordenados para a vida, Ele simplesmente não lhes dá sequer o direito de ouvir e entender de acordo com Mt. 13: 13 a 15 - "Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e ouvindo, não ouvem nem entendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, e de maneira alguma entendereis; e, vendo, vereis, e de maneira alguma percebereis. Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos ouviram tardiamente, e fecharam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure."
Este ensino não é agradável aos universalistas, aos arminianos, aos religiosos, justamente porque retira-lhes os holofotes e o desejo de o homem ser o autor e o consumador da própria salvação.
Sola Gratia!

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