domingo, 14 de dezembro de 2008

O NATAL NÃO É UM EVENTO CRISTÃO III

Is. 9:1-9 – “Mas a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida. Ele envileceu, nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftali, mas nos últimos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galiléia dos gentios. O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz. Tu multiplicaste este povo, a alegria lhe aumentaste; todos se alegrarão perante ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando se repartem os despojos. Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre ele, a vara que lhe feria os ombros, e o cetro do seu opressor como no dia dos midianitas. Porque toda a armadura daqueles que pelejavam com ruído, e os vestidos que rolavam no sangue serão queimados, servirão de pasto ao fogo. Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz. Do incremento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça, desde agora para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.” Aí está uma das mais contundentes promessas do nascimento de Jesus. O Cristo é originário justamente de uma região desprezada pelos líderes judeus, porque era rota comercial por onde passavam caravanas entre Oriente e Ocidente. A cultura da região não era muito ortodoxa devido ao comércio, costumes e a influência cultural dos ‘gentios’. Deus realmente age justamente onde menos se espera ou se acredita que Ele esteja. Por isso, Natanael perguntou: “poderá vir alguma coisa boa da Galiléia?” O homem parte sempre de muitos pressupostos, e, em muitos casos, de preconceitos por causa da carga cultural, emocional e dos condicionantes religiosos a que é submetido ao longo do tempo existencial.
Is. 7: 14 – “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel.” É exatamente o que Jesus foi enquanto homem: um Deus habitando em um corpo de carne, fazendo-se homem sujeito às mesmas fraquezas e paixões dos homens. Entretanto, não incorreu em nenhum pecado. Por isso, pôde e ainda pode derrotar a morte e o inferno. Ressurgiu ao terceiro dia dando plena segurança a todo aquele que crê e recebe esta verdade, sendo incluído na morte e na ressurreição d'Ele. Emanuel é Deus conosco, para, depois ser Deus em nós. Agora Jesus deseja fazer morada no nascido de novo e quer se manifestar a ele conforme Jo. 14:21 "
Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.
"
Gl. 4:4“... na plenitude dos tempos Deus enviou seu Filho”. No original é ‘pléroma tou kronou...’, isto é, na compleição do tempo, indica sequência de tempo decorrido até atingir um ponto predeterminado com vistas a uma medida prevista e calculada. Isto realmente concorda com as gerações que Deus preparou até o advento do Messias, do Nabi, do Shiloh, do Emanuel, do Rabi. Em Mt. 1:17 percebe-se claramente o ‘kronós’ de Deus no processo da regeneração [gr. paligenesia] do homem perdido. Veja que foram exatamente 14 gerações de Abraão até Davi, 14 gerações de Davi até a deportação para Babilônia, 14 gerações de Babilônia até Cristo. Pode-se falar em Protesmia de Deus, isto é, aquele ponto ou período na história no qual seria inserido o nascimento de Cristo, um intervalo de tempo para que Deus descesse na pessoa de seu Filho para buscar o que se havia perdido. Deus mergulha na escuridão deste mundo para resgatar o homem. Lembre-se da parábola das 100 ovelhas? Pois é, o pastor deixa as noventa e nove que estão em segurança para resgatar apenas uma que caíra no penhasco.
Ef. 1:10 – “De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra.” Novamente se tem no original a palavra ‘pléromatos tôn kairôn’ indicando que Deus realmente planejou e decidiu para que seu Filho viesse ao mundo como homem em um plano predeterminado. Então Natal significa um mergulho de Deus nas trevas inferiores do mundo manchado pelo pecado [gr. hamartiós = erro do alvo por incredulidade] no homem. Jesus se fez mergulhar quando deixou a glória celestial para enfrentar a rebelião, a incompreensão, a violência e ignorância dos homens por amor e por fidelidade a sua própria palavra conforme Fl. 2:5-9. Porque o ‘Cordeiro de Deus já estava imolado desde antes da fundação do mundo’. Há, só no livro de Gênesis, cerca de 50 referências à vinda do Messias. Portanto, a graça está presente ao longo de toda a Bíblia como também ao longo de toda a história da humanidade. Por esta razão é que a salvação sempre foi e sempre será por meio de Cristo. Jesus é o Senhor do tempo e da história no sentido ‘kronós’, mas também é Senhor do tempo e da vida dos que nasceram de Deus no sentido do ‘kairós’. O primeiro quadrante da História aponta para a promessa; desde o mergulho do Senhor na pessoa de Jesus, o Cristo, surge a história da redenção que se vai completando à medida que Deus prepara uma nova aliança melhor e definitiva. Quando fala de remissão de pecados significa ‘comprar alguém’ e, ao que se sabe, compravam-se à época, escravos. Natal é, portanto, insubmissão, insurreição, ingratidão na relação homem-Deus, todavia na relação Deus-homem é amor, compaixão, misericórdia que gera redenção.
I Tm. 2:5 – “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem...” O texto mostra que é só um Deus e não uma infinidade de santos ou mesmo Maria como mediadores. Só Cristo realmente reabilita o homem, fazendo o ‘religatio’ perfeito e definitivo. Não é a religiosidade, a justiça própria e os esforços éticos, a santidade, a retidão, o temor e outras coisas mais. Com isto não se postula que se deve viver atolado nos atos pecaminosos, mas se está reconhecendo, que, quem faz a obra da redenção, regeneração e salvação é Cristo e apenas Ele. Portanto, é graça e não mérito! A maior parte dos crentes vive uma religião meritória e retórica e não a vida de Cristo neles. É óbvio que ninguém reconhece isso conscientemente. É necessário ter o corpo do pecado desfeito na cruz para reconhecer a verdade. A verdade não é do homem, está no homem nascido de Deus.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O NATAL NÃO É UM EVENTO CRISTÃO II

Afim de elucidar o falseamento do Natal, enquanto evento tido como cristão, necessário é que se verifique a origem de diversos outros desvios fatais ao equilíbrio do homem, desde que fora feito até os dias de hoje. Tais desvios são realizados de modo sutil e gradativo, a fim de se obter os resultados desejados pelo arqui-inimigo da cruz.
Gn. 2:8 e 9 – “E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, da banda do oriente; e pôs nele o homem que havia formado. Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvore agradável à vista e boa para alimento e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal.” Vê-se que Deus plantou um jardim, pôs nele o homem que havia formado; Deus fez brotar diversas plantas boas; todo o trabalho e esforço originou-se em Deus e não no homem. No meio do jardim foram colocadas: a ‘árvore da vida’ e a ‘árvore do conhecimento do bem e do mal’. Até aqui toda a iniciativa foi de Deus e não dos esforços humanos. Em nenhum contexto bíblico Ele exige rituais e atitudes místicas como meios de se produzir santidade ou espiritualidade no homem.
Gn 2:16 e 17 - “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: de toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do bem e do mal, não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” Os ordenamentos de Deus, por mais duros e desagradáveis que pareçam, não devem ser questionados ou discutidos. Da ‘árvore da vida’ o homem podia comer, mas da “árvore do conhecimento do bem e do mal” não deveria comer. O inimigo levantou o questionamento perante a mulher acerca da ordem de Deus sobre a ‘árvore do conhecimento do bem e do mal’. Então, todo o mal que sobreveio à humanidade começou com um questionamento a uma ordem de Deus. O homem tornou-se um especialista em questionar ordens e desobedecê-las desde então.
Gn. 3:1 – “Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” A serpente foi o primeiro médium  induziu a mulher ao erro por meio de meias verdades, ou de insinuações duvidosas. O princípio do erro sempre começa pela geração da dúvida, nunca pela negação ou afirmação absoluta. Deus havia dito apenas parte do que a serpente disse à mulher e também não havia uma entonação dúbia no que Ele dissera. O inimigo omitiu a parte que continha a proibição de Deus ao homem. Como apenas parte da resposta da mulher foi correta, criou-se, então, o meio termo que o Diabo queria, e, por isso, o inimigo partiu para uma segunda investida. Conclui-se que uma pregação pode ter diversos significados, dependendo de quem prega, como prega e por que prega. Também entendemos, que, o fato de alguém saber a verdade e até repeti-la aos outros, não o isenta de cair em erro. Tal saber poderá ser apenas uma questão de posição e não de relação. O que garante a imunidade do homem ante ao pecado é a morte na cruz em Cristo e a ressurreição juntamente com Ele.
Gn. 3:5 – “Então disse a serpente à mulher: é certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.” Há muitos crentes que vivem por aí liberando poder, declarando a palavra, declarando isto ou aquilo em nome de Jesus, dando ordens a Deus. Todavia, quando confrontados com a real situação das suas naturezas pecaminosas são uma negação. Nada sabem de fato do que as Escrituras ensinam com clareza. O mesmo ocorreu à mulher na crise do Éden. Respondeu conforme informações recebidas de Adão e não de Deus, porém quando o Diabo “mostrou” a possibilidade de ela ser, como Deus, esqueceu-se rapidamente da ordem, ou da primeira pregação. É isto! Pequenas nuanças, pequenas coisas, pequenas modificações na verdade são capazes de provocar um enorme estrago. O Diabo
garantiu à Eva que ela e o seu marido não morreriam. Primeiro isto significa colocar Deus na condição de mentiroso e manipulador. Também coloca Deus na condição de egoísta, pois teria reservado só para si algo maravilhoso. Assim, nem o Diabo tinha autoridade para falar sobre estas questões, nem a mulher autorização para fazer diferente do que lhe havia sido repassado pelo marido. O homem, ainda hoje vive pelas possibilidades lógicas e psicológicas e não pelo poder de Deus. Vive pelas pregações enganosas e mentirosas e não pelas Escrituras. Aí está o “princípio da árvore do conhecimento do bem e do mal”. Vê-se cada vez mais o quanto se valoriza o intelecto nas pregações, enquanto o correto seria valorizar a fundamentação bíblica da pregação. Não importam apenas as citações da Bíblia, mas o ensino definido e respaldado por Deus. Pois, só se ensina aquilo que foi revelado por Deus em Sua Palavra. Pelas mesmas razões é que o natal não é um evento genuinamente cristão.
Gn. 3:6 a 8 – “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, perceberam que estavam nus, coseram folhas de figueira, e fizeram cintas para si. Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim.” Viu, agradou, desejou, tomou, comeu e deu. Alguém disse que deveríamos ler a Bíblia pelos verbos. É mesmo, as verdades de Deus são comunicadas principalmente por meio dos verbos. Observe que a trama do pecado foi pelo paladar e pela flora. Por isso, dizem que o costume de agradar visitas com comida é uma herança do Éden. Veja que os piores produtos expostos nas lojas são os que têm os melhores invólucros. Precisam ser bonitos para despertar desejos no consumidor. Folhas de figueiras foram costuradas para cobrir o pecado, o homem e a mulher se esconderam no meio das plantas com medo de Deus. Nisto verificamos os primeiros esforços da religião do homem e não de Deus. Porque figueira? O figo não é fruto. É infrutescência, porque não é completo, isto é, não possui casca, mesocarpo e endocarpo. É oco, vazio por dentro. Este é o sentido daquilo que é vão ou vaidade. É o mesmo sentido de idolatria. Vazio, oco, sem consistência, sem substância. Além do mais, quando o homem costurou folhas para se cobrir, significa o seu próprio esforço em dar um jeitinho ao seu erro diante de Deus. É a lei do esforço ou da justiça própria. Observe que, quando a polícia prende um bandido, a primeira reação dele é encobrir o rosto com a camisa. Esconde o seu rosto diante dos seus erro a fim de preservar a imagem que tem de si e que deseja que os outros tenham sobre ele.
Gn. 3: 9-14 – “E chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou: onde estás? Ele respondeu: ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi. Perguntou-lhe Deus: quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? Então, disse o homem: a mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. Disse o Senhor Deus à mulher: que é isso que fizeste? Respondeu-lhe a mulher: a serpente me enganou, e eu, comi. Então, o Senhor Deus disse à serpente: visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida.” Veja a sequência de culpa transferida: o homem culpou a mulher, esta culpou a serpente e, esta, como não tinha a quem culpar ficou quieta. O importante é que Deus sempre busca o homem, procura-o lhe dirigi a palavra e quer vê-lo. Todavia, o homem sempre se esconde de Deus, porque quer resolver-se por conta própria. Atualmente a forma mais comum de se esconder de Deus é através da religiosidade. O homem continua cosendo folhas de figueiras para apresentar sua religião de disfarces a Deus. É como os bailes de máscaras, todos sabem quem são todos, mas todos fingem não serem o que são.
Quando Deus procura o homem e o confronta entre a sua ordem e o que ele realmente está fazendo, este se apresenta com suas justiças próprias. Por isso a Igreja é um mero ajuntamento de pessoas contradizentes, fofoqueiras, maledicentes  sem amor e sem gratidão para com Deus. Por isso, há ‘muitos fracos, doentes e outros tantos que dormem’ conforme I Co. 11:29 e 30.
Gn.3:15-19 – Veja, nestes versículos, uma seqüência de maldições e juízos de Deus sobre o homem, a serpente e a terra. Uma coisa precisamos evidenciar: “...No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás”. O labor e o trabalho difícil é fruto da maldição. Deus ordenou ao homem que administrasse a terra. Guarde bem isto, para entender algo mais adiante.
Gn. 3:21 – “Fez o Senhor Deus vestimentas de peles para Adão e sua mulher e os vestiu.” Se Deus fez vestimentas de peles, algum animal teve de ser sacrificado. Aqui se vê o sacrifício de Cristo. Sangue foi derramado para o homem ter a sua consciência de imoralidade coberta. Indicando o sacrifício de Cristo na cruz pelo homem. Onde aparece árvores de natal? Na verdade o que reaproxima o homem decaído de Deus é o sangue sacrificial do Seu Unigênito Filho.
Gn. 3:22-24 – verificamos a expulsão do homem do jardim e o impedimento deste de ter acesso à ‘árvore da vida’. Isto era para evitar que o homem, agora pecador, comesse daquela árvore e passasse com o pecado para a eternidade. Isto demonstra a imensidão do amor de Deus ao impedir um mal maior ao homem.
Gn. 4:16 – “Retirou-se Caim da presença do Senhor e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.” Esta é a atitude do homem em rebelião contra Deus. Retira-se, foge de cara feia, afirma-se no seu próprio conceito de justiça e de verdade. Quase todas as vezes que um pregador fala acerca da verdade de Deus é isso que acontece dentro das igrejas. São tachados de radicais, antiquados, descontextualizados, heréticos, etc. Os legalistas e ritualistas sempre são reacionários diante da verdade bíblica, mas são totalmente abertos aos comportamentos puramente religiosos e do esforço próprio. Porque esta é uma teologia que os inclui com suas verdades próprias e com suas naturezas não regeneradas.

O NATAL NÃO É UM EVENTO CRISTÃO I

Mt. 2:1 e 2 – “Tendo nascido Jesus em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam: onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo”. Verificam-se algumas mentiras a respeito do modelo de natal que a falsa cristandade imbecilizada pela mídia e pela religião dominante toma por referência. Primeiramente, magos eram naquele tempo mágicos, ‘pseudo astrônomos’, astrólogos, naturalistas e pseudo-cientistas. Secundariamente, vieram do Oriente em função do brilho de algo no céu a que eles chamavam de estrela. Segundo o astrônomo Johannes Kepler, ocorreu uma conjunção entre Saturno e Júpiter por volta do século 7 a C, o que poderia ter causado brilho intenso por algum tempo. Quando se lê o texto de Gn. 1:14 – “Disse também Deus: haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos.” Observa-se que entre as funções do Sol, da Lua e das Estrelas, uma delas é ‘para sinais’. Qualquer dicionário chulo diz que sinal é “tudo o que possibilita conhecer, reconhecer, adivinhar ou prever alguma coisa”. Desconsiderando tais significações dicionarescas e considerando apenas o sentido do texto no original hebraico tem-se que sinal é “marca, indício, vestígio”.
Jr. 10:3, “Assim diz o Senhor: não aprendais o caminho dos gentios, nem vos espanteis com os sinais dos céus, porque com eles os gentios se atemorizam”. Percebe-se realmente a existência de correlação entre o sentido dos sinais e a inglória tentativa de o inimigo cultivar práticas de futurologia entre os homens. Desde tempos imemoriáveis que o homem olha para as estrelas buscando sinais. Em Lc 21:25 Jesus fala sobre ‘sinais e prodígios nos céus’, mas veja que a contrapartida é ‘angústia e perplexidade na terra...
Acrescenta-se ademais que a Bíblia não diz que tais magos eram três, muito menos diz os seus nomes, ou que eram reis como reza a tradição católica incorporada por muitos grupos ditos evangélicos. Só diz que eram magos, nem mais, nem menos. Pessoas movidas por seus próprios conceitos inventaram, ao longo do tempo, pequenas modificações sobre a verdade? Obviamente, se alguém ousar mudar muita coisa e de uma só vez, tal modificação será rejeitada. Este é o método de Satanás desde o Éden: pequenas modificações, algumas insinuações e meias verdades. É o mesmo processo da vacina: inoculam-se pequenas doses do DNA de um vírus desativado ou sob controle a fim de imunizar o corpo contra a ação do vírus vivo e ativo. O corpo produz antígenos contra o verdadeiro vírus.  Por semelhante modo, as meias verdades ou mentiras suaves, ensurdecem e imunizam a mente do homem contra a verdade plena.
As ofertas dos ditos magos eram formas de bajulação humanas típicas dos costumes da época. Não há nas Escrituras qualquer possibilidade de exegese acerca do significado do ouro, da mirra e do incenso. Tudo quanto se fala destes elementos químicos é pura especulação folclórica da cultura oriental incorporada pela cultura ocidental. É notório, ainda, que o resultado da visita daqueles mágicos causou muito mal e matança de crianças de dois anos para baixo, justamente porque foram buscar a opinião dos homens. Consultaram o rei Herodes e desviando-se do caminho que os levaria ao recém-nascido. Se de fato eles vieram por divina revelação, não haveria nenhuma necessidade de entrar na cidade para pedir informação alguma e a ninguém, pois a revelação de Deus é o bastante. Foram perguntar sobre um rei que havia nascido, suscitando assim, a ira do rei Herodes que não suportava a ideia de perder o seu trono. Por isso, ordenou a matança de todas as crianças inseridas naquela faixa de idade, segundo as informações dos magos. É tão evidente a intenção maligna por trás dos "inocentes" magos, que, percebendo a burrada que fizeram, desapareceram por outro caminho após ter visitado Jesus. Além do que, está implícito na oferta de ouro, incenso e mirra a ideia da religião do esforço próprio e de adoração por meio de obras mortas. Foi a primeira tentativa de corromper o cristianismo com coisas e não com a verdadeira adoração. Deus não se agradou da oferta de Caim, justamente porque era o resultado do suor do seu rosto, ou seja, do esforço próprio. O homem não pode oferecer nada a Deus a não ser a sua vida unida à de Cristo na cruz para que seja destruído o corpo do pecado conforme Rm.6:6, e, mesmo assim, ele a oferece porque Deus lhe concede graça para isto. Como pode um ‘crente’ se levantar e armar presépios com “reis” magos, induzindo os seus filhos a adotar e aceitar uma cultura oriental que nada tem a ver com a verdade? Aí vêm estes pregadores da mentira e da dissimulação dentro das Igrejas, dando significação espiritual a algo que é puramente humano e diabólico. Isto é feito para engodar os incautos e enganar os que vivem por mera suposição de fé. A questão não reside na árvore de natal enquanto um objeto, mas na sua origem e significação que em momento algum é cristã. Tudo isto faz parte do processo de cauterização das mentes.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A OPERAÇÃO DO ERRO IV

Jo. 5:37 a 40 - "E o Pai que me enviou, ele mesmo tem dado testemunho de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes a sua forma; e a sua palavra não permanece em vós; porque não credes naquele que ele enviou. Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim; mas não quereis vir a mim para terdes vida!"
A operação do erro é enviada àqueles que não podem compreender o testemunho de Deus por meio de Cristo; aos que nunca ouvem a voz de Deus; aos que não veem com os olhos do espírito; aos que não permanecem na Palavra, ou antes ela não permanece neles. Tudo isto sucede a estes, porque não podem crer. Examinam as Escrituras por mero julgamento especulativo do que seja a vida eterna, entretanto, o querer deles não é inclinado para Deus, por isso, não vão a Cristo. Eles estão centrados na vida almática, ou seja, em suas próprias concepções do que seja a vida eterna e não n'Aquele, que, de fato, ela é. A vida eterna é definida escrituristicamente conforme Jo. 17:3 - "E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste." A vida eterna não é apenas um estado do ser, mas é uma pessoa, a saber, Cristo.
A vida eterna é Cristo e não uma mera concepção, mas Ele mesmo é o doador e a doação da vida verdadeira, a qual é adquirida pelo conhecimento de Deus como único e verdadeiro e do Senhor Jesus, o Cristo, o qual Ele enviou para satisfazer a Sua justiça contra o pecado. Assim, a operação do erro é fruto da natureza pecaminosa que separa o homem de Deus e não em função da ação específica de um ou outro homem tido como demoníaco ou do mal como se presume comumente.
O princípio basilar da operação do erro está contido nas palavras de Cristo em Jo. 12: 43 a 48 - "Contudo, muitos dentre as próprias autoridades creram nele; mas por causa dos fariseus não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga; porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus. Clamou Jesus, dizendo: quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou. Eu, que sou a luz, vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. E, se alguém ouvir as minhas palavras, e não as guardar, eu não o julgo; pois eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeita, e não recebe as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o julgará no último dia." O fulcro entre os que operam segundo o coração de Deus e os que operam segundo os seus próprios corações está no foco. Os que amam a Deus, porque foram por Ele amados primeiramente confessam isto sob quaisquer circunstâncias. Todavia, os que amam mais a glória dos homens não confessam, apenas declaram algum tipo de crença ou religião. Há enorme distância entre confessar e declarar: confessar é dizer com fé, declarar é apenas dizer sem a fé, posto que esta é dom de Deus e não uma virtude natural do homem.
Toda a origem da operação do erro está na natureza pecaminosa do homem decaído e absolutamente depravado. De modo, que, nestas condições, ele não tem nenhuma inclinação para Deus e o Seu Filho Unigênito. Têm-na apenas para declarações religiosas e místicas. Isto nada tem a ver com a verdade, que, aliás é o próprio Cristo segundo Jo. 14:6.

sábado, 8 de novembro de 2008

A OPERAÇÃO DO ERRO III

II Ts. 2: 7 a 12 - "Pois o mistério da iniquidade já opera; somente há um que agora o detém até que seja posto fora; e então será revelado esse iníquo, a quem o Senhor Jesus matará como o sopro de sua boca e destruirá com a manifestação da sua vinda; a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça." Embora o texto, no seu contexto, faça referência a um tempo escatológico, o mesmo no-lo informa que o mistério da iniquidade já opera. Iniquidade é sempre um estado de degenerescência originado em Satanás, sendo caracterizado por uma falta de equidade, ou seja, ausência de princípios imutáveis de justiça que induzem o juiz a um critério de moderação e de igualdade, ainda que em detrimento do direito objetivo. Assim, o conceito de equidade recai em retidão de juízo, igualdade, equilíbrio e equanimidade. Já o conceito de iniquidade é exatamente o antonímico de equidade, ou seja, a ausência dela.
Deduz-se do texto que vem de ser lido, que, a operação do erro é iníqua, ou seja, procede de um sentimento de justiça divergente do reto juízo de Deus. O pai desta iniquidade é um, a saber, o próprio Satanás, o qual transmite este mesmo sentimento e prática aos seus subordinados, tanto no mundo invisível, como no mundo sensível. O principal campo de ação do Diabo não é no seio das seitas e religiões exóticas, místicas e esdrúxulas, como se supõe comumente. Nestas, ele é adorado como um "deus", visto que não lhe oferecem resistências. Ele age com mais intensidade nas religiões humanas disfarçadas de verdadeiras, justamente, porque o falso busca em tudo se assemelhar ao verdadeiro para ser aceito e receber crédito. Um inimigo não ataca os seus aliados e subordinados, contrariamente, ataca sempre os seus adversários.
O apóstolo Paulo está escrevendo doutrinariamente a uma Igreja e não a uma seita satânica. Aquele que detém a aparição do filho de Satanás, a saber, o Anticristo, é o Espírito Santo de Deus que opera nos nascidos do alto. Estes eleitos de Deus são a semente que o serve de geração em geração, formando um corpo chamado de Igreja. São, geralmente figuras apagadas, sem prestígio, sem nomes nas colunas sociais, desprovidos de pretensões pessoais e ambições. Não se julgam doutores em nada, e muito menos, em divindades ou qualquer que seja o título conferido pelos homens. Jesus declarou aos judeus religiosos que eles não o recebiam porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus. Esta é a verdade que perdura na operação do erro até os dias de hoje. E irá de mal a pior quanto mais se aproxima o fim dos tempos.
O texto mostra com clareza que a operação do erro por meio da iniquidade é revestida da eficácia de Satanás com base apenas em poder, sinais, prodígios da mentira e todo engano da injustiça. Estas são, portanto, as evidências da operação do erro que se podem ver sem rodeios em inumeráveis "igrejas" hoje. Todavia, o mesmo texto deixa claro que estas operações são destinadas aos que perecem e não aos que vivem pela vida de Cristo. Estes, são aqueles, que não recebendo o amor da verdade, a saber, o próprio Cristo, não podem operar na verdade, visto que é Ele quem opera nos seus eleitos, tanto o querer como o efetuar.
Verifica-se, entretanto, que é o próprio Deus quem lhes envia a operação do erro. Os religiosos insistem sempre em querer fazer a defesa de Deus, retirando-Lhe a responsabilidade sobre a condenação dos pecados dos homens. Para tanto, inventam doutrinas e pretendem ser professores do próprio Deus. Embora as Escrituras afirmam categoricamente que Deus não é tentado e a ninguém tenta, sabe-se que é no sentido de que não é n'Ele que origina o pecado. O que Ele realiza é com base na natureza decaída e inclinada ao mal no próprio homem conforme se vê nos textos relativos a faraó rei do Egito no episódio da saída do povo hebreu daquela terra. Deus não endureceu mais a faraó além do que o seu coração já era endurecido! Assim, Deus não tenta e não é tentado pelo mal, mas deixa o homem entregue ao seu próprio mal seja para redimi-lo, seja para condená-lo.
É óbvio que é Deus quem opera tudo em relação a tudo e a todos no universo, posto que apenas Ele é absolutamente soberano e Senhor de todas as coisas. A Ele, pois, toda honra e toda glória!

domingo, 2 de novembro de 2008

A OPERAÇÃO DO ERRO II

II Ts. 2: 1 a 4 - "Ora, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, rogamos-vos, irmãos, que não vos movais facilmente do vosso modo de pensar, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola como enviada de nós, como se o dia do Senhor estivesse já perto. Ninguém de modo algum vos engane; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição, aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus." O apóstolo Paulo está se dirigindo à Igreja em Tessalônica e alertando-a sobre questões escatológicas, como também sobre questões de desvios e riscos de se dar crédito a ensinos falsos e mentirosos. Isto deixa em aberto a possibilidade, de, mesmo os nascidos de Deus, serem por algum tempo enganados acerca de doutrinas. Há nas igrejas humanizadas, muitos doutores, mestres e professores. Alguns dos tais recebem até título de "Dr. em Divindades" nos dias de hoje. É como se o homem elegesse alguns para serem professores de Deus, desafiando a própria Palavra d'Ele conforme Is. 40: 13 e 14 - "Quem guiou o Espírito do Senhor, ou, como seu conselheiro o ensinou? Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse entendimento, e quem lhe mostrou a vereda do juízo? quem lhe ensinou conhecimento, e lhe mostrou o caminho de entendimento?" Diante deste texto e de tantos outros, como alguém ainda pode falar em teologia? Como pode o homem querer entender Deus pela lógica?
O que há no seio da religião humana é muita teologia e pouca verdade, visto que ajuntam para si doutores segundo as suas próprias concepções acerca de Deus, de Cristo e das Escrituras. A verdade fica à margem de todo este processo, porque ela é resultado do dom de Deus aos seus eleitos e não dos artifícios humanistas e gnósticos difundidos sorrateiramente nos ensinos religiosos.
I Jo. 2: 26 a 28 - "Estas coisas vos escrevo a respeito daqueles que vos querem enganar. E quanto a vós, a unção que dele recebestes fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como vos ensinou ela, assim nele permanecei. E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não fiquemos confundidos diante dele na sua vinda." O texto mostra que há sempre os que querem enganar os eleitos de Deus. Estes, porém são portadores de um selo de garantia contra o engano, a saber, a unção recebida de Deus. Esta unção é permanente e não momentânea como se vê na religião do engano e da mentira. A unção do Espírito de Cristo, ensina todas as coisas e não apenas algumas como se vê nas religiões da mentira. Ela é verdadeira, ou seja, o que ensina é apenas a verdade e não concepções humanas acerca de Deus. A sequência natural do ensino da verdade é a permanência em Cristo. Não é assim, nos ensinos mentirosos, ao contrário vivem de mestre em mestre, de ministério em ministério, de doutor em doutor e nada sabem acerca da cruz, da inclusão do pecador na morte de Cristo, e, muito menos do nascimento do alto conforme doutrinado nas Escrituras.
A operação do erro já está em franco processo na religião dominante e predominante. Ela se caracteriza pela apostasia, isto é, pelo afastamento da verdade que é Cristo. O apóstata se afasta de Cristo e não da religião. Prevalece hoje, o ensino sem cruz, sem morte em Cristo e sem ressurreição juntamente com Ele.

sábado, 1 de novembro de 2008

A OPERAÇÃO DO ERRO I

II Ts. 2: 1 a 17 - "Ora, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, rogamos-vos, irmãos, que não vos movais facilmente do vosso modo de pensar, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola como enviada de nós, como se o dia do Senhor estivesse já perto. Ninguém de modo algum vos engane; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição, aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus. Não vos lembrais de que eu vos dizia estas coisas quando ainda estava convosco? E agora vós sabeis o que o detém para que a seu próprio tempo seja revelado. Pois o mistério da iniquidade já opera; somente há um que agora o detém até que seja posto fora; e então será revelado esse iníquo, a quem o Senhor Jesus matará como o sopro de sua boca e destruirá com a manifestação da sua vinda; a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça. Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade, e para isso vos chamou pelo nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, pois, irmãos, estai firmes e conservai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa. E o próprio Senhor nosso, Jesus Cristo, e Deus nosso Pai que nos amou e pela graça nos deu uma eterna consolação e boa esperança, console os vossos corações e os confirme em toda boa obra e palavra."
O homem, especialmente o religioso sempre vê o mundo e as coisas em duas categorias: o bem e o mal. Atribui o bem a Deus e o mal ao Diabo. Oferece sacrifícios, envida esforços, busca desenvolver algum padrão místico, ético ou ritualístico afim de obter o bem e se livrar do mal. Reputa o sucesso e a fama a uma suposta aprovação de Deus em função dos seus bons atos, condicionando, assim, a justiça própria ao favor de Deus. Cria uma falsa perspectiva de que Deus se inclina ao homem em função daquilo que ele faz ou deixa de fazer. Neste sentido está sempre com o foco fora da verdadeira centralidade, pois retira de Cristo toda honra e toda glória para colocá-as em si mesmo e nas suas excelsas qualidades. Consegue fazer Deus e Seu Filho Unigênito se curvarem à criatura, invertendo a verdade. Cria e recria Deus tantas quantas forem as possibilidades humanistas e humanizadas. Seculariza o que é eterno e eterniza o que é secular. Manipula as forças do além como quem tem Deus sob controle na mão direita, e o Diabo na mão esquerda. Tratam-os como se iguais fossem, atribuindo-lhes poderes de igual envergadura no Universo.
O texto, objeto deste e de outros artigos subsequentes trata e retrata com clareza uma série de enganos religiosos, os quais levam ao envio da operação do erro no mundo, na igreja e no coração de muitos homens. É como o apóstolo Paulo doutrina em Rm. 1: 19 a 25 - "Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém."
Portanto, quando adarem dizendo que algum homem é sábio, certeza se pode ter de que é, de fato louco, porquanto, estará mundando a centralidade da glória que só a Deus é devida eternamente.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

AS VIRGENS, O NOIVO E A PORTA FECHADA

Mt. 25:1 a 12 - "Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram insensatas, e cinco prudentes. Ora, as insensatas, tomando as lâmpadas, não levaram azeite consigo. As prudentes, porém, levaram azeite em suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas. E tardando o noivo, cochilaram todas, e dormiram. Mas à meia-noite ouviu-se um grito: eis o noivo! saí-lhe ao encontro! Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas. E as insensatas disseram às prudentes: dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando. Mas as prudentes responderam: não; pois de certo não chegaria para nós e para vós; ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o noivo; e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. Depois vieram também as outras virgens, e disseram: Senhor, Senhor, abre-nos a porta. Ele, porém, respondeu: em verdade vos digo, não vos conheço."
As Escrituras quase sempre lançam mão de tipos e símbolos para falar da verdade. Isto faz parte de uma pedagogia divina, no sentido em que Deus não intenciona se comunicar com todos os homens da mesma forma e na mesma intensidade. Ele se comunica com a humanidade por meio de uma linguagem universal, visto que a própria natureza testemunha o Seu poder e a Sua maravilhosa misericórdia e graça. Seus atributos são invisíveis, mas perfeitamente perceptíveis por todos os Seus feitos na criação e na harmonia dela.
No texto que vem de ser lido, há diversos elementos a serem considerados: o reino de Deus, o noivo e a porta são literais, mas as virgens, as lâmpadas e o azeite são figurados. Um símbolo é um recurso que representa algo ou alguém, porém não se repete. Um tipo, ao contrário, é uma representação que pode se repetir e, por vezes, possui dupla referência no tempo e no espaço.
Observa-se que se trata de uma parábola, porque o enunciado é introduzido por símile, isto é, estabelece uma semelhança entre o Reino de Deus e as virgens. Assim, o mundo espiritual possui equivalência no mundo material, porque aos olhos de Deus não há dicotomia. Tudo o que existe no universo está sob a soberania d'Ele. As pessoas providas apenas de concepções religiosas, imaginam sempre o mundo de forma maniqueísta na dicotomia do bem e do mal, sendo este controlado pelo Diabo, e, aquele, controlado por Deus. Ora, se uma única partícula em todo o universo fugir ao controle de Deus, Ele não seria o Deus que se revela ao homem por meio das Escrituras.
As virgens tipificam a igreja: a Igreja verdadeira que tem a unção ou o selo do Espírito Santo simbolizado pelas que têm o azeite e a igreja falsa que não tem o selo e o penhor do Espírito de Cristo simbolizada pelas virgens que não têm o azeite. Verifica-se, que, tanto as virgens prudentes, como as virgens insensatas, estavam esperando o noivo, tinham todas suas respectivas lâmpadas e os seus azeites. Também vê-se que todas dormiram, o que indica que a salvação não é uma questão de atitude ou de esforço próprio, mas de misericórdia e graça procedentes de Deus. A salvação é invariavelmente monérgica, nunca sinérgica!
O texto mostra com clareza que há os que vendem o azeite, isto é, os que fazem da verdade uma questão mercadológica. Isto indica a religião centrada no homem e seus esforços. A religião não conhece a graça plena de Deus, porque, nela, o homem tenta ser o produtor de sua própria salvação por meio de atos de justiça própria. As vezes, o religioso ama mais o ser correto, justo, ético e moralmente aceitável do que ao próprio Deus. Neste caso, perdeu-se o sentido, pois Deus não está a procura de justos, visto que não há nenhum sequer conforme Rm. 3:10 - "...como está escrito: não há justo, nem sequer um." Também em Is. 64:6 - "Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia." O que o religioso não pode compreender é que, ainda que consiga desenvolver um excelente padrão moral, sua alma está contaminada pela natureza pecaminosa, logo, tudo o mais está contaminado, pois o efeito é conforme a causa e jamais o contrário. Por esta razão é que Cristo veio para atrair os eleitos à cruz, para, nela, destruir o corpo do pecado deles conforme Rm. 6:6 - "... sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado."
Finalmente, o texto objeto de análise deste artigo, mostra sem rodeios que a eleição é uma doutrina largamente ensinada nas Escrituras, porém, poucos a podem compreender e receber como verdade. O noivo, recebeu as virgens prudentes e desprezou as virgens insensatas, porquanto estas não faziam parte das bodas do Cordeiro que foi imolado antes da fundação do mundo. Por isso, Ele não as conhecia!

sábado, 4 de outubro de 2008

SEM MORTE NÃO HÁ SALVAÇÃO V

A doutrina da inclusão na morte de Cristo é amplamente ensinada nas Escrituras. Entretanto, alguns textos são mais elucidaditivos e não deixam dúvidas algumas. A questão fundamental é que, de um lado, o homem portador de vida almática apenas, não pode discernir espiritualmente o que significa esta morte por inclusão; por outro lado, a noção de morte é refutada pelo homem natural, porque este tem profundo temor da condenação eterna. A Palavra de Deus é uma e é una ao mesmo tempo! Nela não há contradição, e, quando suscitada, geralmente resulta da interpretação humanista influenciada pelo gnosticismo e pela natureza decaída e viciada em religião. A religião é um vício produzido pela natureza decaída e separada da vida de Deus. É o homem tentando produzir justiça e mérito para salvar-se.
Jo. 12: 24 e 25 - "Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna." Considerando o texto como simbólico, o grão de trigo tem dupla referência, pois simboliza a morte de Cristo, e, por extensão, a morte de todos quantos foram n'Ele incluídos. O fato inegável e irrefutável é que há um ensino nesta passagem. Ela não possui valor retórico, ou mesmo, poético. O grão não morrendo, permanece em seu estado impar e inalterado. Mas, morrendo, reproduz-se em uma espécie de fator multiplicador, pois das suas espigas surgirão novos e inúmeros grãos. Assim, admitindo-se que Cristo veio morrer a morte dos mortos em seus delitos e pecados para executar a justiça de Deus, destituindo, assim, a natureza pecaminosa do homem, Ele ressuscita trazendo os regenerados à vida. Estes regenerados se põem a pregar e testemunhar da verdade sobre a inclusão na morte de Cristo, logo, multiplicarão o número dos regenerados que foram preordenados para a vida conforme At. 13:48 - "Os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna." Realmente, só creem os que foram preordenados para isto. Os não predestinados, podem ouvir a pregação das Escrituras a vida inteira que não lhes produzirá efeito algum, salvo religiosidade.
Na sequência do texto áureo deste artigo, vê-se que a contabilidade espiritual difere substancialmente da contabilidade mercantilista do homem. Nesta, ganha-se sempre e cada vez mais. Nela, não se vislumbra a possibilidade de perdas. Naquela, a saber, na contabilidade de Deus, perde-se primeiro, para só depois ganhar. Assim, o homem não regenerado, e aqui se refere ao religioso, luta ingloriamente para ganhar a salvação sem perder a sua vida almática. Os eleitos, por outro lado, rendem-se diante da graça misericordiosa de Deus por instrumentalidade da fé que Ele mesmo lhes concede, a fim de perder suas vidas almáticas na cruz, para ganhar a vida eterna e abundante de Cristo na ressurreição. Então, perde-se para ganhar e não ganha-se para perder, como é visto na religião comum e reproduzida pelo homem decaído e destituído da glória de Deus como se vê ao longo da história.

domingo, 28 de setembro de 2008

SEM MORTE NÃO HÁ SALVAÇÃO IV

A morte passou a todos os homens por meio do primeiro homem, o primeiro Adão, mas a vida verdadeira e eterna foi dada por Cristo, o último Adão. O primeiro homem, Adão, foi alma vivente, o segundo homem, Cristo, é Espírito vivificante, pois quando Deus fez o homem, o fez como alma portadora de vida, mas quando Cristo morreu e ressuscitou doou a Sua própria vida aos regenerados, portanto, Ele é o que vivifica. A natureza da vida do homem é diametralmente oposta à natureza da vida de Cristo, enquanto aquela é almática e decaída da graça, esta é eterna e procedente da vida de Deus. Por isso, nada do que o homem faça neste mundo altera a sua condição de decaído da graça. Se Deus mesmo não usar de misericórdia e graça para com o pecador ele morre duas vezes: a primeira morte é a que todos já nascem portando-a, isto é, a morte para Deus; a segunda é a morte física a qual é seguida da separação eterna de Deus.
Cristo, de fato, veio para aniquilar o pecado e não para dar um jeitinho na natureza humana e, com isso, deixá-lo entrar na presença de Deus com o pecado. Isto é a coisa mais absurda, pois na presença de Deus não entra nada impuro conforme Ef. 5:5 - "Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus." O religioso não crê, que Cristo aniquilou o pecado na cruz, pois vive sempre as voltas com esta questão. A religião é insuficiente para mostrar ao pecador que uma coisa é o pecado, isto é, a natureza pecaminosa inoculada pelo Diabo, e, outra coisa, são os atos pecaminosos dela decorrentes, os quais são chamados nas Escrituras de delitos e pecados. Tanto lá isto é verdade que, existem cerca de cinco palavras no grego neotestamentário para a palavra portuguesa pecado. Apenas uma delas faz referência ao pecado que Cristo veio aniquilar, a saber, 'hamartios'.
Rm. 6: 1 a 11 - "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, sabendo que, tendo Cristo ressurgido dentre os mortos, já não morre mais; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus."
Há inúmeras realidades a serem consideradas neste texto: 1) O regenerado não tem prazer em permanecer no pecado, mesmo sabendo que a graça é maior do que este; 2) Os nascidos de Deus já morreram para o pecado; 3) Os regenerados morreram em Cristo; 4) Os nascidos do alto ressuscitaram juntamente com Cristo para a vida eterna; 5) Os eleitos foram unidos em Cristo na Sua morte de cruz; 6) O velho homem, isto é, a velha natureza pecaminosa herdada de Adão foi crucificada com Cristo; 7) O corpo do pecado, ou seja, a natureza portadora do pecado original foi destruída na morte com Cristo; 8) Quem crê que morreu com Cristo, está justificado do pecado, ou seja, recebeu a justiça de Deus contra o seu pecado; 9) Que a morte com Cristo é única e definitiva.
O religioso, que não recebeu a graça para crer que as Escrituras são a Palavra de Deus e não um manual de religião, permanecem no sofrimento da escravidão do pecado. Eles dizem que o ensino que Cristo veio para aniquilar o pecado é herético e que quem prega este ensino está pregando impecabilidade. Preferem se apegar aos dogmas recebidos de segunda mão, à crer no que as Escrituras ensinam claramente.

SEM MORTE NÃO HÁ SALVAÇÃO III

Já foi mostrado que há três naturezas de morte, isto é, a morte para Deus por conta do pecado e dos atos pecaminosos, a morte física e a morte espiritual com significação da condenação e separação eterna de Deus. O tratamento que Deus dispensou para solucionar a questão da morte do homem foi preparado antes dos tempos eternos conforme o texto de II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos ..." Então, a salvação e o chamado dos que receberam graça para a vida eterna ocorreu antes mesmo de os mesmos existirem. Portanto, a salvação não depende do que fazemos ou deixamos de fazer, mas de Deus ter usado de misericórdia e graça para com o pecador na eternidade pretérita. Isto é confirmado em Sl. 139:16 - "Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nenhum deles." Se todos os fatos da vida de alguém foram escritos nos livros eternos antes mesmo de a pessoa vir à luz da existência, também a sua salvação foi uma decisão eterna e soberana de Deus. Não depende de obras de justiça própria e, muito menos, de méritos como se presume comumente na religião.
Hb. 9:0 a 0 - "E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que estão no céu fossem purificadas com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes. Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação." A figura das coisas que estão nos céus são apenas referenciais terrestres e a purificação delas por sangue representa e indica a morte de Cristo na cruz para purificação dos eleitos e preordenados para a vida. Sem derramamento de sangue não há redenção, logo, para derramar sangue, obrigatoriamente há morte. Isto foi demonstrado no Éden, quando o próprio Deus vestiu a nudez de Adão e Eva com peles de animais. Esta realidade simboliza a morte de um substituto para cobrir o pecado do homem. Então, Cristo morreu na cruz e atraiu o pecador a Si, para na Sua morte destruir a morte do pecador. De sorte que o sacrifício de Cristo foi para redimir o homem pecador, porém eleito e preordenado por Deus para ganhar a vida em Seu Filho Unigênito. Assim, Cristo aniquilou o pecado para sempre e de uma única vez. Por isso, os religiosos estão equivocados quando pedem perdão dos seus pecados repetidamente. Isto indica que não podem crer que foram incluídos na morte de Cristo para perder as suas próprias mortes espirituais. O que apresentam em seus sistemas de crença é apenas a comemoração ou o culto ao pecado incessantemente.

SEM MORTE NÃO HÁ SALVAÇÃO II

No texto neotestamentário há umas duas palavras para a palavra portuguesa morte. Quando se usa 'nekrós' e suas cognatas é uma referência genérica que envolve, primeiramente, a morte física como consequência da morte espiritual; Quando se usa 'thãnatós' é uma referência mais específica, indicando a morte espiritual. Como já foi dito, morte espiritual não é a morte do espírito, pois este não morre, mas volta a Deus que o deu conforme o texto de Ec. 12:7 - "... e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu." No caso de 'thãnatos' é uma referência à separação eterna da criatura contaminada pelo pecado em relação ao Deus eterno e santo.
Lc. 9: 59 e 60 - "E a outro disse: segue-me. Ao que este respondeu: permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Replicou-lhe Jesus: deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus." Sem um cuidado a mais, este texto que vem de ser lido, pode suscitar uma dúvida, pois parece redundante e até contraditório, pois como pode um morto sepultar outro morto? Entretanto, na primeira vez que Cristo se refere a mortos está afirmando que o homem natural está espiritualmente morto para Deus. De fato, sem a vida de Cristo, todos estão mortos em delitos e pecados. Jesus diz assim: "deixa os nekrois' sepultar os seus próprios 'nekrois'." Então, de fato, Ele afirma, no texto, o seguinte: "deixa os indiferentes à vida de Deus por conta do pecado sepultar os seus próprios defuntos mortos física e espiritualmente."
Por estes textos percebe-se que há realmente uma morte a qual o homem já nasce experimentando-a, a saber, a sua separação da natureza divina, e, outra morte consequente desta, ou seja, a morte física ou do corpo.
Entretanto, há também uma outra morte que é aquela compartilhada em Cristo, na cruz, a qual permite o nascimento do alto. Quando o pecador recebe graça e misericórdia para crer que foi incluído na morte de Cristo, este passou da morte para a vida conforme Jo. 5:24 - "Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida." Então, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela pregação da Palavra de Deus. Veja que o verbo crer está no presente contínuo e não no infinitivo. Assim, ter a vida eterna, abundante ou verdadeira exige primeiramente que se perca a vida da alma contaminada pela natureza pecaminosa e, isto, por fé que na cruz por inclusão na morte de Cristo o pecador é redimido da culpa do pecado. No texto acima, morte é 'thanaton' e vida é 'zoen', ou seja, é morte como separação eterna e vida como vida eterna. Então a fé que a inclusão do pecador na morte de Cristo dá vida eterna em oposição à morte eterna para quem não ganha a graça para crer.
Quando Cristo foi crucificado atraiu os eleitos n'Ele para perder a vida morta no pecado; quando Ele ressuscitou dentre os mortos, Ele doou a Sua vida aos preordenados para lhes dar a vida eterna.

sábado, 27 de setembro de 2008

SEM MORTE NÃO HÁ SALVAÇÃO I

A morte é um fato altamente detestado pelo homem em todos os tempos e lugares. Em algumas poucas culturas, notadamente algumas orientais, como no Budismo, Confucionismo e Taoismo, a morte é comemorada com festejos, por entenderem que ela é o recomeço de um novo ciclo. No mais, especialmente, nas culturas ocidentais, a morte é tida como algo abominável e detestável. Por esta razão é tão rejeitada, mesmo que seja amplamente mostrada nas Escrituras como algo natural e inevitável por conta do pecado.
No Novo Testamento, mais claramente, em comparação ao Velho Testamento, a morte é apresentada como essencial à redenção do pecador. Entretanto, não é uma referência à simples morte física do homem. É uma morte por inclusão em outra morte, a saber, na morte do substituto legal. A referência é à morte de Cristo, visto ser Ele o representante legal da parte de Deus para aniquilação do pecado que gera a morte física e espiritual do homem. Por morte espiritual se entende como a condenação e a separação eterna de Deus. O texto hebraico que anuncia a realidade da morte para o homem é uma expressão "morrer, morrendo". Inclui, neste caso, a ideia de degenerescência biológica e separação eterna de Deus. 
Rm. 5:21 - "... para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor." O pecado entrou no mundo por um homem, isto é, por Adão e passou a todos os homens, porquanto todos herdaram a natureza pecaminosa de Adão, o ancestral comum a todos. Da mesma forma, a solução de Deus para destruição do pecado, foi retirar o pecado do mundo por um homem, a saber, Jesus, o Cristo. Isto está registrado assim: I Co. 15: 21 e 22 - "Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Pois como em Adão todos morrem, do mesmo modo em Cristo todos serão vivificados."
Desta forma há uma ampla doutrina sobre a morte da morte do pecador, na morte justificadora de Cristo, o substituto legal. A este processo, dá-se o nome de doutrina da inclusão na morte de Cristo. Obviamente, a morte da morte do homem na morte de Cristo é uma questão de fé. Jesus, o Cristo foi o substituto perfeito, porque não tinha pecado, mas Deus o fez pecado incluindo n'Ele o pecado de todos os eleitos. Portanto, todos os que antes ou depois de Jesus, o Cristo foram justificados n'Ele pela fé na promessa de redenção.
Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Este é o texto áureo onde encontram-se os elementos da inclusão do pecador na morte de Cristo. Ele está se referindo ao seu levantamento na cruz e afirma que atrairá todos a Ele. Ora, se Cristo está mencionando à Sua morte na cruz e que atrairá aos todos que foram ordenados para a vida, logo, está atraindo-os à mesma cruz. O texto é claríssimo em afirmar que Cristo estava se referindo à sua morte. Jesus Cristo foi levantado três vezes: na crucificação, na ressurreição e na assunção ao céu. Todas elas estavam relacionadas à salvação do pecador.
Faz muito sentido, embora as Escrituras não necessitem de sentido, esse ensino bíblico da inclusão do pecador na morte de Cristo. Isto porque o homem contaminado pelo pecado jamais poderia promover a sua própria salvação, portanto, exigindo um substituto em tudo apto, sem pecado e sem culpa para justificá-lo. Assim, o justo de Deus, absorve a injustiça do homem e destrói a culpa do pecado, ressurgindo ao terceiro dia sem pecado para restituir o homem justificado novamente a Deus.

sábado, 13 de setembro de 2008

A GRAÇA É PARA DESGRAÇADOS IV

Em matéria de fé e prática vivencial na Palavra de Deus, o homem é um fracasso absoluto. Isto porque a natureza humana é contrária à vida controlada por Cristo. O homem possui uma natureza tão comprometida com o pecado, que, incrivelmente, a sua maior luta não é para ganhar a vida de Cristo, mas para manter a sua própria vida baseada na alma. Na teoria, quase todos os homens são portadores de grande fé, boas intenções, buscam santidade, retidão, integridade e desviam-se do que reputam como o mal. Todavia, isto pode ser apenas prenúncio de religião e não de verdade. Obviamente, que, muitas práticas são boas ao homem e à sociedade como forma de preservação, apaziguamento e progresso social. Entretanto, neste caso, os meios se tornam mais importantes que os fins. Entretanto, e a despeito de toda a retidão, a situação espiritual do pecador não se altera aos olhos de Deus. Brennan Manning escreveu no livro "Metidos, Falsos e Impostores", o seguinte: "eu estava mais preocupado em produzir a minha santidade do que em amar a Deus." De fato esta é uma realidade no meio religioso, porque não se busca o que Deus está dizendo, mas presumem dizer que Ele deve fazer ao homem. Este é o real sentido de religião, ou seja, o homem procurando a sua religação ao Criador de acordo com a sua própria concepção. A ação monérgica se dá de modo oposto, Deus em Sua soberania age em direção ao coração miserável do homem, concedendo-lhe graça e misericórdia.
É senso comum entre religiosos que apenas as pessoas com excelsas credenciais poderão alcançar a graça e as bênçãos de Deus. Julgam que os desgraçados não têm a menor chance de ser objeto do amor misericordioso e gracioso do Abba. Ora, este é o entendimento oposto ao ensino das Escrituras, pois o amor é para quem é desprezado, a graça é para o desgraçado e a misericórdia é para o miserável. Basta ler com mais exatidão o ensino da sã doutrina em toda a sua extensão e sentido em que se acha na Palavra de Deus. O homem não deve ler as Escrituras, cuidando ter nelas o que ele deseja como padrão, mas deve deixar as Escrituras faz a leitura dele para lhe vivificar. Não fora assim, Deus não seria soberano, misericordioso, gracioso e absolutamente santo.
Mt. 15: 21 a 28 - "Ora, partindo Jesus dali, retirou-se para as regiões de Tiro e Sidom. E eis que uma mulher cananéia, provinda daquelas cercania, clamava, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim, que minha filha está horrivelmente endemoninhada. Contudo ele não lhe respondeu palavra. Chegando-se, pois, a ele os seus discípulos, rogavam-lhe, dizendo: despede-a, porque vem clamando atrás de nós. Respondeu-lhes ele: não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então veio ela e, adorando-o, disse: Senhor, socorre-me. Ele, porém, respondeu: não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ao que ela disse: sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. Então respondeu Jesus, e disse-lhe: ó mulher, grande é a tua fé! seja-te feito como queres. E desde aquela hora sua filha ficou sã." Tiro e Sidom eram cidades da antiga Fenícia, hoje Líbano e, portanto, fora dos domínios do Reino de Israel. Era uma terra habitada por uma gente desdenhada e detestada pelos judeus religiosos e legalistas por não obedecerem os preceitos do judaísmo. A mulher cananéia se inseria no contexto das pessoas declaradas 'pesona non grata', ou seja, pessoas não engajadas ou amigáveis. Além do que, a cultura judaica não permitia comunicação fácil entre homem e mulher que não fosse a esposa ou parente próxima. 
A mulher se aproximara de Jesus, o que não era muito comum na cultura oriental, adotando duas atitudes: na primeira apenas declarou a messianidade a Cristo; na segunda adorou ao Senhor como o Filho de Deus. Foi atendida apenas no segundo momento, para que fique claro que não é uma declaração correta que move o coração de Deus. Ela se declara na condição de dependência da compaixão e da graça do Cristo. Ora, compaixão é sentimento piedoso de simpatia para com a tragédia pessoal de outrem, acompanhado do desejo de minorá-la; participação espiritual na infelicidade alheia que suscita um impulso altruísta de ternura para com o sofredor. Ela recebeu a analogia do cachorrinho como sendo a sua real situação. Portanto, Jesus, o Cristo viu na atitude dela o esvaziamento da presunção de ter ou ser merecedora.
Ao que parece Jesus tinha uma estratégia, não apenas para com aquela mulher, mas também para com os seus discípulos, sendo isto indicado pelo seu silêncio diante da súplica inicial da mulher. Os discípulos, como todo religioso, se apressaram em tomar a iniciativa no lugar de Deus. Sugerem ao Senhor que dê uma destinação à indagação da mulher e a despeça dali. Ela era alguém indesejável e inoportuna. 
O que Cristo fez foi expor a fé que Deus houvera dado àquela mulher diante dos olhos dos legalistas discípulos a fim de mostrar-lhes que os filhos não são um povo, uma nação ou etnia, mas um grupo de pessoas conhecidas, eleitas, chamadas, justificadas e glorificadas antes dos tempos eternos por obra e graça do próprio Deus. Não fora isto, porque Jesus lha atenderia depois de haver-lhe dito duras palavras? Assim, fica evidente que o coração do 'Grande Rei' se inclina para os que foram levados a Ele por Deus conforme Jo. 6:44.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A GRAÇA É PARA DESGRAÇADOS III

Na cultura judaico-cristã ocidental algumas palavras são tidas como tabus. Uma delas é 'desgraça' e suas correlatas. Ainda que seja realmente dura realidade alguém não conhecer e não receber a graça de Deus, não se constitui nenhuma palavra de maldição ou de condenação afirmar que o homem sem a morte e a ressurreição em Cristo é um desgraçado. Todos os homens já nascem desgraçados por conta do pecado original, ou seja, da natureza pecaminosa herdada de Adão conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." A morte a que alude o texto, não é apenas a morte física, mas também a morte espiritual, ou seja, a separação eterna do homem em relação a Deus. Alguns ignorantes, imaginam que tal ensino é errado, porque afirmam que o espírito não morre. É verdade, o espírito que está no homem retorna a Deus após a morte. Entretanto, o sentido de 'morte espiritual' é apenas o de separação entre o homem decaído e Deus santo. Por esta razão é que John Owen, um dos mais eminentes reformadores, escreveu a obra intitulada "A Morte, da Morte, na Morte de Cristo." Ele demonstra biblicamente, que, o homem morreu para Deus, por isto tem de morrer por inclusão na cruz com Cristo, para com Ele ressuscitar e ganhar a vida eterna. Tudo isto é uma questão de fé e não de experiência física ou mística.
A religiosidade, que, para nada aproveita, cria falsas bases de fé, tais como, supor que o fato de alguém pertencer a um determinado sistema de crença lhe confere salvação. Ou ainda, que o fato de alguém ter sido batizado, ser dizimista, missionário, pastor, diácono, evangelista dentro de uma determinada denominação religiosa lhe confere méritos perante Deus. Neste caso, ter-se-ia alcançado apenas a condição de servo inútil conforme Lc. 17:10 - "Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer." Então, quando algum religioso cumpre tudo o que a sua religião determina, conseguiu galgar apenas a posição de servo inútil, porque fez apenas o que lhe fora ordenado, ou seja, o que era da sua obrigação moral.
A verdade é que todo homem que não recebe a graça de Deus por misericórdia e não por méritos ou por suposta justiça própria é um desgraçado por natureza, relação e posição. Não se trata de opinião, enunciado ou proposição de quem quer que seja, mas do que afirmam solenemente as Escrituras em diversas instâncias.
A verdadeira graça que substitui a desgraça e cura eternamente o desgraçado é uma ação absolutamente monérgica, isto é, única e procedente da soberana vontade de Deus. Ela não depende de qualquer algo a mais que seja proveniente do homem, pois do contrário, não seria graça e sim recompensa por serviços prestados. De modo geral, as religiões ditas cristãs sempre acrescem algo a mais além de Cristo. O homem que não experimenta a graça verdadeira, fundamenta-se toda a sua crença na lei do esforço.
I Sm. 2: 2 a 9 - "Ninguém há santo como o Senhor; não há outro fora de ti; não há rocha como a nosso Deus. Não faleis mais palavras tão altivas, nem saia da vossa boca a arrogância; porque o Senhor é o Deus da sabedoria, e por ele são pesadas as ações. Os arcos dos fortes estão quebrados, e os fracos são cingidos de força. Os que eram fartos se alugam por pão, e deixam de ter fome os que eram famintos; até a estéril teve sete filhos, e a que tinha muitos filhos enfraquece. O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer ao Seol e faz subir dali. O Senhor empobrece e enriquece; abate e também exalta. Levanta do pó o pobre, do monturo eleva o necessitado, para os fazer sentar entre os príncipes, para os fazer herdar um trono de glória; porque do Senhor são as colunas da Terra, sobre elas pôs ele o mundo. Ele guardará os pés dos seus santos, porém os ímpios ficarão mudos nas trevas, porque o homem não prevalecerá pela força." Deus falou por intermédia de Ana, quando da entrega do menino Samuel ao serviço sacerdotal na casa de Eli. Primeiramente, Deus é definido como sendo santo, único e absoluto. Em seguida aconselha-se que o homem não pronuncie palavras altivas, pois Deus é sábio e pesa todas as ações dos homens. Também é esclarecido que Ele substitui a ordem das coisas como Lhe convém soberanamente. Deus é quem dá a cada um segundo a Sua maravilhosa e graciosa soberania, pois Ele é quem estabeleceu a Terra. É Ele quem guarda os pés dos seus eleitos; é Ele quem dá aos ímpios a recompensa da sua natureza decaída. O homem fora da cruz é uma forcejador da sua falsa salvação por meio da presunção religiosa. A graça que o tal crê se circunscreve apenas à obtenção de benesses.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A GRAÇA É PARA DESGRAÇADOS II

Certa vez um pregador disse que alguns crentes pareciam ter sido batizados em um tanque de limonada, pois eram absolutamente azedos. De fato alguns desses "crentes" parecem ter entrado na fila diversas vezes para se batizar em suco de limão. Eles vêem erros em todos e em tudo! Basta alguém tomar da palavra em algum evento, e já se armam para ser do contra e têm sempre um aparte a fazer. Caso alguma decisão não lhes agrada, mudam de igreja, mudam de religião a fim de encontrar o ambiente que lhes satisfaça os egos entregues a si mesmos e às naturezas decaídas contaminadas pelo pecado. A visão que desenvolvem sobre Deus, sobre os outros e sobre si mesmos destoa totalmente dos ensinos de Cristo. Enquanto as Escrituras ensinam que os nascidos de Deus suportam uns aos outros, eles querem ser considerados virtuoses de Deus na Terra. Reclamam para si um grau de espiritualidade acima de qualquer outra pessoa, e, consequentemente, reivindicam exclusividade das bênçãos divinas sobre si. Reputam os que não comungam das suas crenças como escória do mundo. Atuam como se fora representantes de Deus neste mundo com base apenas no que supõem ser a verdade e não sobre o que ela é de fato. Tudo e todos que não comungam das suas crenças são reputados como satanizado.
O recebimento e a compreensão da graça de Deus por parte desta categoria de religioso ficam altamente comprometidos quando se consideram as Escrituras. Eles conseguem apenas ir até ao ponto que lhes agrada e lhes satisfaça os interesses pessoais ou corporativos. Assim, desenvolvem uma visão absolutamente humanista e reducionista do que é realmente a graça. Eles a condicionam apenas aos que cumprem regras, normas, preceitos e ritos. Na contramão das Escrituras, eles cogitam de seus próprios interesses a ponto de criar doutrinas esdrúxulas para justificar, quando as coisas saem fora do eixo e do foco dos seus próprias egos decaídos, e, consequentemente depravados espiritualmente. Uma dessas doutrinas paralelas é a da "maldição hereditária". Ela se presta à explicação de quase tudo o que sucede de errado em uma comunidade ou a uma pessoa dentro de certos círculos religiosos. Se tudo corre bem com o "crente" é porque Deus o está confirmando e abençoando em suas atividades e serviços. Se algo sai errado é necessário rever pontos falhos, fazer auto-sacrifícios, punir-se e penitenciar-se por coisas erradas a ponto de flagelar-se emocionalmente e fisicamente. A famigerada "quebra de maldições" requer destes verdadeiros rituais macabros de jejuns, orações e abstinências que vão desde comidas até desfazer-se de bens ou de coisas que julgam ser usadas pelo Diabo contra eles.
No contraponto das ações focadas no homem e seus pressupostos, as Escrituras têm muito a ensinar sobre o que é a verdadeira graça de Deus.
Jo. 9: 18 a 38 - "Os judeus, porém, não acreditaram que ele tivesse sido cego e recebido a vista, enquanto não chamaram os pais do que fora curado, e lhes perguntaram: é este o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como, pois, vê agora? Responderam seus pais: sabemos que este é o nosso filho, e que nasceu cego; mas como agora vê, não sabemos; ou quem lhe abriu os olhos, nós não sabemos; perguntai a ele mesmo; tem idade; ele falará por si mesmo. Isso disseram seus pais, porque temiam os judeus, porquanto já tinham estes combinado que se alguém confessasse ser Jesus o Cristo, fosse expulso da sinagoga. Por isso é que seus pais disseram: tem idade, perguntai-lho a ele mesmo. Então chamaram pela segunda vez o homem que fora cego, e lhe disseram: dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador. Respondeu ele: se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego, e agora vejo. Perguntaram-lhe pois: que foi que te fez? Como te abriu os olhos? Respondeu-lhes: já vo-lo disse, e não atendestes; para que o quereis tornar a ouvir? Acaso também vós quereis tornar-vos discípulos dele? Então o injuriaram, e disseram: discípulo dele és tu; nós porém, somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés; mas quanto a este, não sabemos donde é. Respondeu-lhes o homem: nisto, pois, está a maravilha: não sabeis donde ele é, e entretanto ele me abriu os olhos; sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém for temente a Deus, e fizer a sua vontade, a esse ele ouve. Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer. Replicaram-lhe eles: tu nasceste todo em pecados, e vens nos ensinar a nós? E expulsaram-no. Soube Jesus que o haviam expulsado; e achando-o perguntou-lhe: crês tu no Filho do homem? Respondeu ele: quem é, senhor, para que nele creia? Disse-lhe Jesus: já o viste, e é ele quem fala contigo. Disse o homem: creio, Senhor! E o adorou." Nenhuma exegese ou hermenêutica é necessária para perceber com clarevidência o que é a graça de Deus. De um lado os religiosos judeus, os quais fundamentam suas justiças no cumprimento de regras, preceitos e leis; do outro lado alguém que recebeu gratuitamente a misericordiosa graça de Deus sem nada fazer por merecê-la, pois se assim fora, a graça já não seria graça. Recebeu não apenas a cura da cegueira física, mas a graça para ser curado também da cegueira espiritual, adorando a Jesus, o Cristo como Deus.

A GRAÇA É PARA OS DESGRAÇADOS I

Comumente as pessoas em geral, e os religiosos por excelência, supõem que Deus está aberto e disposto a conferir e auferir ricas bênçãos apenas aos que o obedecem, o servem e o cultuam em seus sistemas de crenças e de religião. Quando sucede um mal qualquer a uma pessoa que não pratica nenhuma religião, ou que é negligente com as "coisas de Deus", ou ainda, que não é "fiel" aos dogmas da igreja ou da fé a qual professa, geralmente os murmuradores dizem: 'está pagando pelo que fez!' Ou mesmo, afirmam que os males sobrevêm, porque não seguem os preceitos, as normas, as regras, a lei. Um dos aspectos mais levantados é em relação à fidelidade da contribuição financeira. Basta acontecer uma perda ou um problema da saúde, o qual envolva gastos, logo aparecem as cassandras da maledicência para colocar no banco dos réus o "irmão" desafortunado. Muitos "crentes" são colocados sob disciplina, desdenhados ou mesmo excluído dos rol dos excelentes e elegíveis, porque não são fiéis nos termos dos dogmas e preceitos estabelecidos pelos homens. Infelizmente, para estes juízes das mentes dos outros arranjam até textos bíblicos para justificar seus erros. Alguns dizem: 'está na bíblia que o devorador se levanta para destruir os bens de quem não é fiel.' Mal sabem ler, e já se acham doutores da lei e professores de Deus.
Ao ler as Escrituras mais detidamente, percebe-se com clareza que o padrão de Deus para o homem é a Sua justiça e não as justiças forenses e humanas resultantes das questões comportamentais. Deus não segue a prática moral do homem para estabelecer os seus juízos ou estender as suas bênçãos. Fosse assim, ninguém estaria apto a receber qualquer graça da parte d'Ele, visto que não há um justo, nenhum sequer! A questão é que o religioso se torna uma criatura insuportável, porque toda a sua vida e seus atos giram em torno apenas do que ele considera sobre si mesmo, sobre Deus e sobre os outros homens. Ele se estabelece como instância última da verdade, da justiça e da fé, sem considerar o que a Palavra de Deus declara acerca de Deus, dele mesmo e dos outros homens. É uma espécie de verdade unilateral, na qual o homem é salvador e senhor de si mesmo. 
Entretanto, a graça de Deus passa por outras veredas que não estas predefinidas pelo homem. Os pensamentos, os caminhos e as ações d'Ele são além da compreensão e da aceitação decaída do homem. Deus não se curva aos interesses, integridade, retidão, culto, justiça e méritos dos homens. São os homens que devem se curvar diante da Sua soberana vontade, ainda que esta lhes seja por desagradável.
Lc. 18:10 a 14 - "Dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano. O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda com este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho. Mas o publicano, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: ó Deus, sê propício a mim, o pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o que a si mesmo se humilhar será exaltado." Neste episódio, percebem-se os dois tipos de homens: o que ajunta para si um grande acervo de qualidades presumidamente para influenciar Deus a seu favor e o, que, não se achando justo ou merecedor de qualquer coisa, se assume de fato como realmente é.
O fariseu fez uma oração a si mesmo e não a Deus, ainda que tenha interposto a graça como fator intermediador entre ele e Deus. Este fariseu relatou um memorial diante de Deus apenas sobre suas qualidades e sobre os defeitos e pecados dos outros. Ele estava mais sensibilizado com o que ele era do que com que Deus é. Este tipo de homem é aquele que, deseja produzir tão profundamente a sua própria santidade que se esquece que esta é originada em Deus por intermédio de Cristo. Assim, ele busca santificar-se por suas próprias forças e ama mais isso do que ao próprio Deus.
O publicano, ao contrário, se vê na sua real condição e não se põe na perspectiva de ao menos olhar para cima, mas abre o seu coração sujo, imundo e pecador diante de Deus. A única declaração e confissão que tinha para dizer a Deus, era o seu pecado, ou seja, a sua inalterável condição de produtor de pecado. O texto mostra que Deus foi gracioso para com o publicano, porque a graça só encontra guarida no coração do que se vê como desgraaçado e crê que apenas Deus é suficiente para justificá-lo em Cristo.

domingo, 31 de agosto de 2008

A GRAÇA DE SER ENSINADO POR DEUS

É da natureza humana o falar, o opinar, o ensinar e o doutrinar os outros. O homem possui uma inclinação inerente a querer ser celebridade, por isso, gosta muito de ser consultado pelos outros homens. No tocante ao ensino da doutrina sagrada, então, esta inclinação magnifica-se intensamente, pois de modo geral, os pregadores imaginam que o sucesso e a compreensão do evangelho é obra do esforço humano. Entretanto, as Escrituras mostram com letras garrafais e em diversas instâncias que é obra da exclusiva competência de Deus.
Is. 48:17 - "Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar." A tarefa sublime de ensinar a verdade deve ser mesmo da alçada de Deus, porque só Ele é o Redentor, Senhor e o Santo. Como poderia o homem decaído, ensinar a verdade a outro homem decaído? Deus ensina apenas o que é útil à salvação e à produção da semelhança de Cristo no homem regenerado. Esta é uma obra da graça d'Ele, sendo, portanto, intransferível! Só Ele conhece o caminho em que o homem deve andar, este caminho definido como, sendo o Cristo conforme Jo. 14: 6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim."
Sl. 25: 9 a 14 - "Guia os mansos no que é reto, e lhes ensina o seu caminho. Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade para aqueles que guardam o seu pacto e os seus testemunhos. Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande. Qual é o homem que teme ao Senhor? Este lhe ensinará o caminho que deve escolher. Ele permanecerá em prosperidade, e a sua descendência herdará a Terra. O conselho do Senhor é para aqueles que o temem, e ele lhes faz saber o seu pacto." Os mansos, os que guardam os pactos e os testemunhos do Senhor são aqueles que receberam misericórdia e graça para conhecê-lo em Cristo. Eles recebem o ensino de Deus, porque Ele os redimiu e não para serem redimidos. Por isso, o texto fala em perdão da iniquidade e do homem que teme ao Senhor. As obras de Deus são sempre consequência da misericórdia e da graça d'Ele mesmo. Nunca de méritos e justiça própria do homem, por mais reto, íntegro, temente e que desvie-se do mal.
Por isso, Jó indagou absorto, o seguinte: "Acaso se ensinará ciência a Deus, a ele que julga os excelsos?" Há muitos religiosos que supõem ser professores de Deus neste mundo. Hb. 8: 10 e 11 - "Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo; e não ensinará cada um ao seu concidadão, nem cada um ao seu irmão, dizendo: conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior." Deus fez um novo pacto em Cristo e, por meio dele, mudou a disposição para com o pecador, pois na Sua morte de cruz, destrói o pecado que separa o homem decaído d'Ele. O ensino é direto do Espírito de Deus para o espírito do homem. Todos os eleitos O conhecerão, porque Ele mesmo escreverá as Suas leis nos seus corações. Esta casa de Israel a que alude o texto é a Igreja e não a nação israelense como alguns supõem.